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Posts Tagged ‘Dia do Orgulho Gay; homossexualismo; Grécia e Roma Antigas; violência’

1. Ontem, 28 de junho foi comemorado o Dia do Orgulho Gay. Muitos leitores do meu blog devem estar se perguntando: Porquê raios ela esta colocando um post sobre orgulho gay? O que tem a ver com história? Ela é gay?
Vou começar pela última pergunta: Não sou gay; tenho amigos e respeito a opção de todos.
Em relação as outras duas questões, acho um tema muito importantee de grande valia nos tempos atuais e pode parecer um assunto abordado apenas pela sociologia, mas na verdade, a história é um campo muito vasto e mesmo a sociologia, em minha opinião, deve ser contextualizada de maneira histórica. Se você não sabia, fique sabendo: a história estuda o passado em função do presente, então me deparei com uma reportagem de 2011 sobre o assunto que saiu no Estadão:
SP lidera denúncias de agressão contra gays, diz estudo
(…)De janeiro a julho, o Disque 100[Disque Direitos Humanos] recebeu 630 denúncias contra a população LGBT. As vítimas concentram-se na faixa etária de 19 a 24 anos (43%) e de 25 a 30 anos (20%). Os casos mais comuns de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são os de violência psicológica (44,38%), como ameaça, hostilização e humilhação, e de discriminação (30,55%).
Das vítimas, 83,6% são homossexuais, 10,1%, bissexuais e 4,2%, heterossexuais que sofrem algum tipo de violência ao ser confundidos como gays.
No recorte feito por Estado, São Paulo (18,41%), Bahia (10%), Piauí (8,73%) e Minas Gerais (8,57%) lideram as denúncias – o Rio de Janeiro aparece com apenas 6,03% – por já contar com um serviço semelhante oferecido pelo governo estadual.
‘Isso demonstra que a violência de caráter homofóbico tem um forte componente cultural, é a mais difícil de ser enfrentada porque é justamente a que não fica comprovada por marcas no corpo’, disse a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.”

2.

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Essas fotos acima no slideshow são representações encontradas em cálices, afrescos, vasos de cerâmica, banhos públicos, entre outros, da Grécia e Roma Antigas. Particularmente a cidade de Pompéia tem um grande número de representações sexuais em suas paredes. (ver post Pompéia)
O que vemos é que a história da sexualidade nem sempre foi como a vemos hoje, muitas coisas mudaram: No Ocidente Clássico (Grécia e Roma) a demonstração de amor era homofóbica e o homem ter um amigo (para os clássicos é um parceiro sexual)  era sinônimo de virilidade, pois o amor se dava entre os iguais. A sociedade era tão machista que ser homem em todos os sentidos da palavra era ser homossexual, não se contaminar com um amor inferior, no caso o de uma mulher ou escravo. A mulher era utilizada única e simplesmente como objeto pro-criativo, ou seja, o amor se dava entre os iguais, enquanto a mulher tinha relações sexuais com o homem apenas para gerar novos cidadãos gregos ou romanos. Essa situação muda com o advento do cristianismo, mas somente no XIX que se pensará a família nuclear como um ideal burguês, ou seja, a família perfeita é a composta por um homem, uma mulher e os filhos, tudo o que fugir a esse padrão não é aceito, é reprimido e marginal.
3. Algumas coisas sempre me vêem a cabeça quando o assunto é homossexualismo. Concordo com o que a ministra dos Direitos Humanos disse na entrevista de 2011 citada acima, de que a violência é de caráter cultural. Com certeza, sem dúvida alguma o que nos torna intolerável em relação ao homossexualismo é o enraizamento de uma cultura pré-determinante que nos diz que é certo somente o amor entre homem e mulher e errado qualquer outra maneira de amar. Porém, as amarras culturais devem ser rompidas e a tolerância deve existir.
Muitos justificarão que a Bíblia prega contra o homossexualismo, mas não esqueçam que a Bíblia também fala em respeito, em amor ao próximo e a não condenação. Deixemos que cada um viva a sua vida e faça suas escolhas.
O preconceito é a falta de conhecimento e principalmente medo do desconhecido. Isso só acabará com a educação: pais e escolas devem lutar juntos para passar um conhecimento histórico e sociológico dos comportamentos humanos e aceitar que o heterossexualismo teve uma data para iniciar seu percurso como forma predominante de expressão amorosa, e que não foi tempos modernos onde o lema era Paz e Amor que a adolescência se rebelava contra a ordem vigente do mundo que as pessoas começaram a ser homossexuais… As bases da cultura ocidental vieram muitas vezes de homens que se expressavam homossexualmente e apesar de tanto preconceito que vemos, muito do nosso pensamento ainda é uma sedimentação desse pensamento grego e romano.

Pensem…

Fontes: Stearns, Peter N “História da Sexualidade” . Editora Contexto, São Paulo, 2010.

Estadão 

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