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Esta foto, abaixo, que circulou e ainda circula o mundo, completa hoje 40 anos e é um marco do terror, não só da Guerra do Vietnã, mas da guerra em si.

Encontrei essa publicação no site do Jornal Estadão, e achei interessante postar.

Garota de Napalm: Kim Puch, aos 9 anos.

A famosa fotografia da “menina do napalm” completa 40 anos nesta sexta-feira como um dos grandes símbolos dos estragos da guerra, um aniversário que seus protagonistas celebraram exaltando a capacidade da imagem para mudar o curso da História.

Kim Phuc tinha somente nove anos quando um avião do exército sul-vietnamita bombardeou o pequeno povoado de Trang Bang, próximo de Ho Chi Minh (então Saigon), em um ataque coordenado com o comando americano que tratava de controlar a estrada entre Camboja e Vietnã.

Os relatórios dos EUA indicavam que não havia civis na cidade, como explicaram posteriormente os militares à frente da operação, os mesmos que deram sinal verde para o lançamento de mísseis carregados de napalm, um combustível capaz de carbonizar qualquer forma de vida, que transformou o lugar em um inferno em chamas.

“Até então eu era uma menina feliz”, assegurou Phuc, que aterrorizada com toda a situação tinha se refugiado com sua família no templo de Cao Dai.

O fogo dessas bombas, que alcança 1,2 mil graus, queimou suas roupas e causou queimaduras em 65% de seu corpo, especialmente nas costas e no braço esquerdo, cuja pele era derretida pelo calor.

Phuc saiu correndo sem roupas pela estrada (“muito quente, muito quente!”, gritava) com o rosto em lágrimas, assim como seus outros parentes. Neste mesmo momento, essa imagem acabou sendo imortalizada pelo fotógrafo vietnamita Nick Ut, que cobria a Guerra do Vietnã para a agência americana “Associated Press”.

A foto, tirada no dia 8 de junho de 1972, foi divulgada em todo mundo e revelou todos os horrores do conflito à sociedade internacional, sendo decisiva para acelerar o fim dos confrontos.

“A Guerra do Vietnã terminou graças a essa fotografia”, assegurou à Agência Efe o fotógrafo, que esta semana se reencontrou com Phuc em uma conferência organizada pela igreja batista Liberty de Newport Beach, no sul da Califórnia.

Aquela imagem foi uma das muitas que Ut tirou naquele conflito, embora essa foi a que tenha marcou sua carreira e ainda lhe rendeu o prêmio Pulitzer.

“Para mim parece que foi ontem. É muito triste. Olho novamente as fotografias e observo o quanto foi terrível aquela guerra, todas as guerras, não só a do Vietnã”, comentou o fotógrafo que ainda segue na atividade aos 61 anos de idade.

Ut voltou a tirar a poeira das fotos obtidas na guerra por conta do 40º aniversário daquele 8 de junho, imagens que não captam o que ocorreu depois, mas que fotógrafo faz questão de narrar.

“Fui ajudá-la num instante (Phuc) porque sua pele estava se desprendendo do braço e das costas. Não queria que ela morresse. Deixei a câmara e comecei jogar água nela. Depois, eu a coloquei no meu carro e fomos para o hospital, mas sabia que ela poderia morrer a qualquer momento”, relatou Ut.

Kim Phuc chegou em estado crítico ao centro médico e o pessoal, sem muitos recursos, enviou a jovem diretamente para o necrotério, onde passou três dias.

“Mas eu não morria”, contou Phuc, que graças a um amigo de seu pai acabou sendo realocada em umas instalações para queimados. Neste local, a jovem ficou internada durante 14 meses.

“É um milagre o fato de eu ter conseguido sobreviver”, confessou a mulher que emocionou os californianos com sua história. No encontro, Phuc também mostrou as cicatrizes em seu braço queimado, que, mesmo depois de 17 cirurgias plásticas, ainda seguem visíveis.

De acordo com Phuc, as sequelas psicológicas duraram muito mais tempo. Mas, depois de 1982, ela encontrou a paz que estava buscando através da fé cristã.

“Estou muito contente. Penso que a fotografia é um presente muito poderoso para mim e acho que o mundo é melhor graças a ela. Isso porque, a imagem fez com que o povo adquirisse mais consciência do que é uma guerra”, manifestou.

Após a Guerra do Vietnã, Kim Phuc foi convidada pelo Governo comunista do país para diversas campanhas. Após criar uma boa relação com as autoridades, a jovem conseguiu uma permissão para estudar em Cuba, onde aprendeu um pouco de espanhol e conheceu seu marido.

Em 1992, quando voltava de uma viagem de Moscou para Havana, Phuc aproveitou uma escala de seu avião no Canadá para pedir asilo político.

Há 15 anos é embaixadora de Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Imagem

Fotógrafo Nick Ut e Kim Phuc se reencontram em cerimônia nos EUA

Fonte: Estadão

Uma coisa pela qual todo historiador é apaixonado é a memória. E nós estudantes de história sabemos que há várias maneiras de preservá-la e difundi-la, mas a que mais me agrada, particularmente, é o centro de memória que é representado pelo museu.

Vou tentar com poucas palavras explicar o que significa, como surgiu, sua finalidade, enfim, um pouco da sua história.

Museus

Os museus têm origem na necessidade do homem de colecionar coisas, de preservar suas memórias particulares; isso desde a Antiguidade, como por exemplo, um colar herdado de um familiar, um vaso, muito semelhante ao nosso hábito atual de preservar lembranças como fotografias, objetos que nos remetem a momentos felizes.
Mas, apesar desse hábito particular de guardar objetos e memórias, ainda na Antiguidade, mais especificamente em Alexandria surgem os museus, propriamente ditos. A palavra museu do grego, significa “templo das musas, e e recebia esse nome porquê o museu era o local destinado ao estudo das artes e das ciências. Porquê templo das musas? Simples. Na mitologia, as musas eram entidades que inspiravam as artes e as ciências.
Até o século XVII, os museus eram basicamente locais onde se preservavam documentações importantes (documentação, no sentido histórico são objetos, textos, livros, etc) e eram estudadas e analisadas.
Somente no século XVII, que os museus começam a se parecerem com os quais nós conhecemos hoje.  Esses museus modernos foram criados a partir de doações particulares; o primeiro museu conhecido é o Ashmolean Museum, que surgiu com as doações de Elias Ashmole, da coleção de John Tradescant. O segundo museu público é o Museu Britânico, de 1759. E o primeiro público na França é o do Louvre de 1793.
No Brasil, o primeiro museu foi fundado em 1862- Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano; todos os outros brasileiros datam do século XX, e o mais importante pela qualidade de acervo é o do MASP, em São Paulo, de 1947.

Sua Finalidade

Como já foi dito, no século XVII o museu se consolida de forma muito semelhante com a qual nós conhecemos hoje e deixa de ser um centro exclusivo de preservação, passando a ser aberto ao público e um centro investigativo.
Os museólogos, pensadores, historiados, sociólogos, geógrafos, linguistas, arqueólogos, todos eles, entre outros, são profissionais que atuam com a documentação do museu. Graças a atuação desses profissionais, muito da história e equivocos, além de ideologias que eram transmitidas como verdadeiras, hoje sabemos que muitas delas passaram de manipulação ideológica, ou seja, a documentação, nos permite averiguar os fatos históricos e desconstruir essas mensagens prontas.
O museu deixou de ser um centro passivo de acúmulo, para se tornar um local de interpretação social, educacional, cultural e de preservação material.

Finalmente, de acordo com a ICOM – International Council of Museums (2001), o Museu hoje é “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade”.

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Filme: J. Edgar

Não sei quantas pessoas tiveram o prazer de assistir esse filme, do renomadíssimo diretor Clint Eastwood, que tem Leonardo DiCaprio estrelando no papel principal como o investigador policial John Edgar Hoover (1895-1972).
J. Edgar foi uma figura muito promissora. Formou-se em direito na Universidade de Washington, e aos 25 anos já trabalhava no departamento de Justiça do país, onde foi nomeado Diretor do Bureau de Investigação em 1924, onde atuou até 1972..
Para entender um pouco a atuação de J. Edgar é preciso voltar para 1908.

FBI – FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION

O FBI foi fundado em 1908. Neste momento os Estados Unidos já tinha passado por um processo de “encurtamento” territorial, ou seja, já havia meio de locomoção e comunicação, como: telégrafo, telefone, ferrovias e automóveis.
O processo de industrialização foi tão grande que os Estados Unidos estava extremamente rico e atraia imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles os europeus, muitos com ideais anarquistas, comunistas, etc. Além disso, houve o fato de aumento populacional dentro da América, fora os imigrantes, e no geral essa população vivia em cortiços lotados e em grande pobreza. Atraídos pelas ideologias trazidas pelos imigrantes, principalmente o anarquismo, essa população começou a saquear e de certa forma tornou-se uma ameaça ao Estado norte-americano. Diante de todo esse pano de fundo, achou-se necessário fundar um orgão de Investigação, principalmente dos imigrantes, para expulsá-los do país e manter a ordem.
Antes de J. Edgar houve 5 diretores do Bureau, mas ele foi o que ficou mais tempo na diretoria do FBI, cerca de 48 anos.

O que é mais interessante no filme em relação ao desenvolvimento do FBI é que J. Edgar tem um papel importantíssimo na forma de investigação. Ele quer identificações com digitais e dados pessoais de todas as pessoas que vivem no país (RG) coletadas e arquivadas num banco de dados; desenvolve um laboratório de perícia que servirá para analisar todos os documentos encontrados nas cenas de crime; avaliará todos os agentes e exigirá qualificações como: formação universitária, aptidão física, etc. E além disso, cria arquivos confidenciais a respeito de todos os que podem afetar a Nação e dos governantes. Ele faz com que o Bureau concentre todas as informações da Nação para o combate ao crime, mas utiliza também como forma de manipulação dos governantes.

Vida de J. Edgar

Há duas palavras que definiriam o que o filme passou: workholic e conflituosoAparece como um homem que vive para o trabalho.
Não existe muitas biografias que tratem da vida dele; as fontes são manchetes de jornais que o citavam, e pessoas que viviam em intimidade com ele, mas muitas especulações também.

No filme, ele nunca se casou, e é apresentado a forma como ele vivia e atuava.  Veja um trecho da entrevista da revista ISTO É com Clint Eastwood a respeito da personalidade de J. Edgar:

“Isto É: Ironicamente, o filme trata com bastante sutileza a suposta homossexualidade do ex-diretor do FBI.

 Clint Eastwood – O roteiro procurou incorporar todas as especulações sobre o personagem, inclusive a hipótese de que ele gostava de se vestir de mulher. Não seria justo, contudo, apresentar isso co­mo verdade. No filme ele só põe o vestido da mãe quando ela morre. E o que isso quer dizer? Que ele era gay ou que queria apenas se sentir perto da mãe? Tratamos da mesma maneira o seu suposto envolvimento com o seu assistente Clyde Tolson. Quem poderia saber se eles realmente foram amantes?

Isto É – Hoover gostava de se vangloriar na vida real. A cinebiografia não faz o mesmo com o personagem? 

Clint EastwoodSe eu não tivesse preenchido lacunas na sua vida, não teríamos filme algum. São poucos os livros publicados sobre ele e muitos apenas fazem especulações. Mesmo quando Hoover estava vivo, ninguém sabia muito sobre o homem, a não ser o que saía nos jornais.

 Isto É-Como ele era tratado pela mídia na época?

 Clint Eastwood -Como um dos policiais mais admirados e temidos do país. Eu mesmo cresci tendo Hoover como um herói. Só muito mais tarde descobri que a história não era bem assim.
Isto É -O que mais o fascina na personalidade de Hoover? 
 
Clint Eastwood -A sua obsessão pelo poder. Ele comprova a teoria de que as pessoas sempre fazem coisas estranhas quando estão no topo do mundo. A verdade é que ninguém deveria ficar no mesmo cargo por tanto tempo. No seu caso, foram 48 anos, é tempo demais. Muitas vezes, vemos os governantes perder a noção do que fazem em apenas alguns anos de administração.”

Os últimos anos de sua vida passou seguindo mais os movimentos pela liberdade dos negros do que investigando crimes.

CONCLUSÃO

É um filme sensacional. Apesar da falta de informação a respeito da vida de J. Edgar, reconhecida pelo próprio Clint Eastwood, o filme é muito bom.
Ele nos dá uma boa noção história, e é bem ambientalizado. Deixa claro os preconceitos e pensamento da época: a crítica contra o comunismo, anarquismo, racismo, homofobia, conflito psicológico e as convenções sociais. Mas todas essas questões são secundárias quando o assunto é a grandiosidade, repercurssão e importância política do personagem principal. Ele foi considerado o policial mais temido da época e gostava de ser admirado e louvado. Foi uma grande figura pública que revolucionou o FBI e a maneira de investigar os crimes.

“Isto É -Por que essa história é relevante nos dias de hoje?  Clint Eastwood -Podem ser feitas muitas analogias entre a trajetória dele e a sociedade atual. A paranoia que o levou à caça aos comunistas não é muito diferente do sentimento pós-11 de setembro, que mantém o mundo em constante tensão diante dos terroristas. O fato de ninguém conseguir tirá-lo do cargo também me lembra alguns figurões de hoje, pessoas que se recusam a perder o poder, seja o presidente de um estúdio de Hol­lywood, seja um magnata das comunicações. Essas pessoas esquecem que, ficando tempo demais num cargo, perdem a sua utilidade. “

 

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FONTES:
Site do FBI 
Entrevista do Clint Eastwood na revista ISTO É

Equipe internacional de pesquisadores completa o sequenciamento do DNA humano mais antigo já coletado de uma múmia. O genoma revela a origem genética e as características físicas de um homem da Idade do Cobre assolado por doenças atuais.

Por Sofia Moutinho

Ötzi, o homem do gelo, teria tido olhos castanhos, saúde debilitada e deixado descendentes na região italiana onde hoje é a Sardenha. (foto: South Tyrolean Museum of Archaeology)

Um homem na casa dos 40 anos, de pele branca, cabelos e olhos castanhos, com problemas cardíacos, intolerância à lactose e uma doença provocada por um parasita do carrapato. A descrição, que poderia ser de qualquer indivíduo moderno, é resultado da interpretação do genoma de Ötzi, o homem do gelo, mais antiga múmia humana a ter seu DNA sequenciado. O código genético pré-histórico, de cerca de 5.300 anos, pode ajudar a compreender a evolução e a expansão do homem na Terra.

Ötzi, que viveu no período Calcolítico, ou Idade do Cobre (3000-1800 a.C.), foi descoberto em 1991 por um casal de alpinistas alemães na parte italiana dos Alpes Ötztal – daí o nome. Desde então, está em exibição no Museu Arqueológico do Tirol do Sul, em Bozano, Itália.

A equipe internacional de pesquisadores responsável pela análise do DNA do homem do gelo, iniciada em 2010 e publicada ontem (28/2) na revista Nature Communications, usou uma mostra recolhida do osso do quadril da múmia para destrinchar a sua história.

Para detectar características físicas e propensões genéticas do homem, os pesquisadores se basearam na análise de Snps. Esses marcadores genéticos são originados na troca de um par de base nitrogenada durante a transcrição do DNA – por exemplo, uma sequência que deveria ser ATCG, por erro, vira ATGG.

Essas variações de base nitrogenada, que são passadas de geração para geração, nem sempre têm implicações para quem as carrega, mas podem determinar algumas características físicas, a presença ou risco de desenvolvimento de doenças e também a etnicidade, já que se tornam típicas de determinados grupos humanos que conviveram por muito tempo.

Na análise do DNA de Ötzi, os pesquisadores identificaram Snps relacionados ao risco de doenças coronarianas e à intolerância à lactose. Uma tomografia feita na múmia confirmou: o homem do gelo tinha sinais de calcificação no coração próprios de quem sofreu de arteriosclerose.

“A predisposição a doenças cardiovasculares é considerada uma característica do homem moderno e chamada de doença da civilização”, diz Albert Zink, líder da pesquisa e antropólogo molecular do Instituto do Homem do Gelo e Múmias. “Com o genoma de Ötzi, sabemos que as mutações genéticas que levaram a isso já estavam presentes há mais de cinco mil anos.”

A intolerância à lactose do homem do gelo também diz muito sobre a evolução e a saúde humana. Zink explica que a capacidade do homem de beber leite depois de adulto sem ter problemas só surgiu depois da domesticação de animais leiteiros na Europa. O período preciso da mudança ainda é incerto, mas o genoma de Ötzi oferece mais uma pista.

“Na época de Ötzi, era provável que as pessoas ainda fossem majoritariamente intolerantes à proteína do leite”, explica. “E essa evidência é mais uma das contribuições da pesquisa. É importante investigar o marcador genético associado a essa característica para entender como e quando essa mudança tão significativa ocorreu.”

Junto ao DNA do homem do gelo, os cientistas encontraram ainda o material genético do parasita Borrelia burgdorferi, causador da doença de Lyme. Transmitida pela picada de carrapatos, a enfermidade, diagnosticada apenas no século 18, provoca desde sintomas leves, como irritação cutânea, até mais graves, como distúrbios neurológicos.

Esse é o registro mais antigo da doença e pode ajudar a explicar estranhas marcas encontradas na pele de Ötzi. Alguns arqueólogos acreditam que as pequenas linhas tatuadas no homem eram uma forma antiga de tratamento, uma espécie de acupuntura pré-histórica ocidental, e a doença de Lyme poderia ser o alvo dessa terapia.

O genoma de Ötzi é o mais antigo já sequenciado a partir de uma múmia. (foto: Wikimedia Commons/ Jacklee)

Origem revelada

Depois de terminar o sequenciamento do genoma de Ötzi, os pesquisadores utilizaram bancos de dados e programas de computador para comparar o DNA da múmia com o de humanos modernos. O material genético do homem do gelo foi confrontado com amostras de mais de 1.300 europeus, 125 indivíduos de populações africanas e 20 pessoas do Oriente Médio. Mas só apresentou marcadores compatíveis com o DNA de europeus, mais especificamente de pessoas que vivem na ilha italiana Sardenha.

Zink explica que os marcadores genéticos de ancestralidade compartilhados pela múmia e pelos sardenhos pertencem a um grupo de humanos que teve origem no Oriente Próximo, região que abrange o sudoeste asiático e os países mediterrâneos, e foi introduzido na Europa durante o período Neolítico (10.000-6.000 a.C.).

“Hoje, esses marcadores genéticos são muito raros e só são encontrados em áreas isoladas como as ilhas de Córsega e Sardenha”, diz Zink. “Em outros lugares, esse grupo foi substituído por outras populações.”

A pista genética é compatível com as teorias arqueológicas correntes sobre o homem do gelo, segundo as quais ele teria vivido em algum povoado próximo ao Mar Tirreno – parte do Mar Mediterrâneo que se estende ao longo da costa oeste italiana – e depois migrado para os Alpes.

Segundo o líder do estudo, a identificação da origem genética de Ötzi pode ser útil ainda para estudos mais aprofundados sobre a expansão do homem antigo na Terra.

“Embora o genoma de um só indivíduo seja pouco para refazer a história demográfica humana, a presença desse grupo específico na Itália no início da Idade do Cobre traz novos elementos para futuras pesquisas que visem entender as migrações da época, especialmente o fluxo entre as comunidades alpinas e mediterrâneas.”

Reportagem retirada de CIÊNCIA HOJE

Filme: Imortais

“Todas as almas são imortais, mas a alma do íntegro é imortal e divina”

É com essa citação de um filósofo grego que o filme Imortais começa e termina. Dos mesmos produtores de 300, trazendo do elenco como Teseu, Henry Cavill e o grande ator Mickey Rourke como o rei Hipérion, o filme é um show de efeitos visuais como 300, com as belas lutas sangrentas dinâmicas nos apresentada em câmera lenta. Sensacional.

Mas, se você que é historiador ou acredita que possa utilizar a obra como fonte de referência para mostrar aos alunos quem foi Teseu, essa não é a escolha.

O MITO

A versão mais aceita e difundida é a qual Teseu é apresentado como o filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do rei Piteu de Trezena- Peloponeso.  Há versões que apresentam Teseu como filho de Etra e Poseidon, portanto um semi deus. Este será conhecido como o deus protetor do herói.

Egeu afasta-se de Etra para salvar seu trono em Atenas e pede que ela conte a Teseu que é seu pai apenas quando for forte o suficiente para retirar a espada que deixara de debaixo de uma rocha. Esse feito é realizado quando ele completa 16 anos, e parte então, para encontrar o pai em Atenas.

Suas aventuras têm início no decorrer do caminho, e são 14 feitos, tais como em Epidouro quando vence Perifetes, filho de Hefesto, e consegue a clava de ferro que será sua arma; em Corinto, quando encontra Sínis, filho de Poseidon, e o lança amarrado em um pinheiro; a derrota da bruxa Faia e seu javali; a derrota do gigante Skyron, em Mégara; a morte do lutador Kerkyon;  e a derrota de Procusto, famoso por adequar as pessoas a sua cama de ferro.
Em Atenas, Teseu é recebido por sua madrasta, Medéia, que para tirá-lo do caminho do trono de seus filhos incita-o a enfrentar o touro de Maratona, o qual ele derrota. Seu pai, o reconhecendo expulsa Medéia, pois essa planejava envenená-lo. Ainda livra Atenas do jugo do Minotauro, com a ajuda de Ariadne. Após vencê-lo, Teseu deveria içar uma vela branca para seu pai Egeu saber que ele estava vivo, como Teseu esquece, Egeu acreditando ter seu filho morto, joga-se de um penhasco ao mar, que receberá seu nome: o mar Egeu. Teseu então, torna-se rei de Atenas, enfrenta as amazonas e tem um filho Hipólito, com a rainha das amazonas, Antíope.

No século V a.C., Teseu ganhou contornos verdadeiros. Não há confirmação de sua existências, mas os atenienses clássicos atribuem a ele a função de ter unido a Ática unindo-se aos espartanos contra os persas.

O FILME

A narrativa do filme é bem diferente da narrativa mítica. Num primeiro momento, antes de saber qual a história e ver o trailer do filme, quando ouvi dizer o nome Imortais, pensei logo nos guerreiros de elite persas. Me enganei.

No filme, Teseu é criado por sua mãe e é cético em relação aos deuses e tem como tutor Zeus, na aparência de um velho sábio que jamais se revela para ele como deus. É um camponês, filho bastardo que não tem o pai revelado no filme, e a mãe é a todo momento chamada de meretriz, pois dizem que fora estuprada por vários camponeses e depois não houve quem quisesse desposá-la.

O rei Hipérion está em busca de imortalidade, de propagar seus descendentes e que seu nome sempre seja lembrado, para isso ele tenta um grande feito: libertar os Titãs do Tártaro. Na mitologia, os deuses do Olimpo derrotaram os Titãs, inclusive Chronos, pais de Zeus, e foram aprisionados, com exceção do titã Atlas, que foi castigado a carregar o mundo nas costas.

Para libertar os Titãs, Hipérion tenta conseguir a informação de onde esta o arco de Épiro, que teria sido criada por Ares e permitiria libertar os titãs do Tártaro.

Hipérion mata a mãe de Teseu, e este sai em busca de vingança, encontra o arco de Épiro que é roubado pelas tropas de Hipérion. Este liberta os titãs do Tártaro e os deuses do Olimpo vem em auxílio para derrotá-los e impedí-los que saiam do Tártaro, façanha que é bem sucedida.

Teseu então é transformado em deus após matar o rei Hipérion, deixando como descendente o filho que teve com a profetisa que o guia.

CONCLUSÃO

Apesar de contar uma história inexistente na mitologia e não incorporar fatores fundamentais da vida de Teseu, e dar alguns deslizes como por exemplo a proteção por Zeus e não por Poseidon, ou a violação da oráculo sem consequência nenhuma, é um filme que vale a pena ser visto, pois trás um ponto de vista diferente a respeito de Teseu, dele sendo um simples mortal, mas de integridade tal que é  o preferido dos deuses e encarregado de salvar os helenos. Mesmo retratando essa história inexistente na mitologia, nos aproxima da história verdadeira em que os atenienses acreditavam que Teseu lutara em Tróia, e unificara a Ática, a ponto de Tucídides acreditar na sua existência, talvez seja essa versão da história do homem sobre o mito que foi tentada passar.

Devido a tudo isso que foi dito, com certeza eu recomendo o filme.

Especialistas que analisaram uma inscrição de 2.600 anos dizem que ela é uma espécie de placa comemorativa da inauguração da Torre de Babel, com detalhes do projeto celebrizado pela Bíblia.

A conclusão está num novo livro de título indigesto, “Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schoyen Collection” (“Inscrições Reais em Cuneiforme e Textos Relacionados da Coleção Schoyen”).

Martin Schoyen é um empresário norueguês, dono de uma coleção de antiguidades que inclui, entre outras coisas, inscrições em cuneiforme (difícil sistema de escrita do antigo Oriente Médio) feitas a mando dos reis da Mesopotâmia, no atual Iraque.

Entre essas inscrições está a estela –essencialmente um poste de pedra– erigida quando Nabucodonosor 2º governava a Babilônia, entre 605 a.C. e 562 a.C. Coberta com textos e desenhos, a estela relata a construção de uma obra que, se fosse egípcia, teria porte faraônico.

Divulgação
A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de Nabucodonosor
A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de Nabucodonosor

TERRA E CÉU

Seu nome era Etemenanki. Em sumério, idioma que já era arcaico nos tempos de Nabucodonosor 2º, a palavra significa “templo das fundações da terra e do céu”. E o rei da Babilônia carrega nas tintas propagandísticas ao descrever como construiu a estrutura, cuja altura, segundo relatos posteriores, chegava a mais de 90 m.

“[Para construí-la] mobilizei todos em todo lugar, cada um dos governantes que alcançaram a grandeza entre todos os povos do mundo. Preenchi a base para fazer um terraço elevado. As estruturas construí com betume e tijolo. Completei-a erguendo seu topo até o céu, fazendo-a brilhar como o Sol”, diz a inscrição na pedra.

O templo era dedicado ao deus Marduk, patrono da dinastia de Nabucodonosor.

ZIGURATE

A estrutura, que lembra um pouco uma pirâmide com degraus, encaixa-se na categoria dos zigurates, comum na arquitetura dos templos da antiga Mesopotâmia.

A equipe liderada por Andrew George, especialista em babilônio do University College de Londres, publicou pela primeira vez a descrição detalhada da estela no livro.

Para eles, a probabilidade de que o zigurate gigante tenha sido a inspiração para o relato bíblico da Torre de Babel é considerável. Para começar, já se sabia que “Babel” (“A Porta do Deus”) é apenas o nome dado pelos antigos hebreus à Babilônia.

Em segundo lugar, foi Nabucodonosor 2º o responsável por destruir o último reino israelita independente, o de Judá, arrasando o templo de Jerusalém e deportando milhares de pessoas da terra de Israel para a Babilônia no ano 586 a.C.

Os deportados israelitas, portanto, teriam tido a chance de ver de perto a maior das obras de seu opressor, justamente no período em que, segundo a maior parte dos estudiosos atuais, o texto da Bíblia estava sendo editado e consolidado no exílio.

A inspiração para a história do rei que tentou construir uma torre até o céu, portanto, teria vindo nessa época.

Se a hipótese de George e seus colegas estiver correta, a imagem na estela é a mais antiga representação da Torre de Babel, que acabaria inspirando inúmeros artistas da Idade Média até hoje. Uma identificação definitiva, contudo, é difícil de provar sem evidências mais diretas.


MATÉRIA RETIRADA DO CADERNO CIÊNCIA DA FOLHA DE SÃO PAULO, POR REINALDO JOSÉ LOPES – EDITOR DE “CIÊNCIA E SAÚDE”

Origem

 Muitos historiadores sugerem que a comemoração do nascimento de Cristo ocorre no fim do ano por ser uma época de realizações de festas em muitos lugares.

As festas pagãs no mês de dezembro existiam desde cerca de 2200 a.C., sobretudo na Mesopotâmia. O ano novo representava uma grande crise para o povo dessa região, que acreditavam que com a chegada do inverno os maus espíritos se enfureciam e tornavam-se ameaçadores à sua permanência na Terra, e então o deus supremo Marduk saia com a missão de derrotá-los e proteger a humanidade. Este costume chegou aos romanos dando origem à festa da Saturnália, em homenagem ao deus Saturno, deus da agricultura, que ocorria no dia 23 de dezembro, quando acontecia o solstício de inverno- a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte.

O motivo para o Natal ocorrer em 25 de dezembro é um ponto muito contraditório para historiadores do assunto, pois de acordo com a leitura da Bíblia a data estaria incorreta. No Evangelho Segundo Lucas, que fala sobre o nascimento de Cristo, João Batista teria nascido em março, e Jesus seis meses depois, portanto em setembro. Foi no século IV que o Natal começou a ser comemorado no dia 25 de dezembro, quando o Papa Júlio I decretou a data no ano 350. A escolha desta data teria o intento de combater qualquer outra celebração pagã em dezembro, como a própria Saturnália. Devido a isso, para manter o significado religioso da data e ainda assim ser aceita por vários povos, alguns rituais pagãos foram incorporados juntamente com o cristianismo.

Os Símbolos

O pinheiro, a decoração das árvores e a iluminação não são invenções cristãs. Os egípcios já levavam folhas de palmeira para dentro das casas no dia mais curto do ano, em dezembro, quando ocorria o solstício de verão no Hemisfério Sul, que simbolizava o triunfo da vida sobre a morte”. Algumas tribos germânicas celebravam o solstício ao redor de um pinheiro, árvore que simbolizava a “resistência perante o frio”. A árvore era o “carvalho sagrado de Odin”, o deus menino, onde se depositava oferendas.  A planta era iluminada por velas, para manter à distância os maus espíritos. Ainda durante o solstício, alguns grupos religiosos decoravam árvores de carvalho com maças.

O presépio que é montado até hoje, foi montado a primeira vez por São Francisco de Assis em 1224, em Greccio na Itália. Esta foi a maneira que São Francisco encontrou de lembrar aos fiéis o ambiente e as condições em que Jesus nasceu. Foi exibido à meia-noite, hora simbólica do nascimento. O ato era seguido por uma missa, e como os galos cantavam nas primeiras horas da madrugada, o nome dado a essa missa pelo povo foi: Missa do Galo.

Para a tradição pagã, sobretudo a escandinava, os sinos tinham o poder de afastar os maus espíritos nos dias escuros. A estrela no topo da árvore faz referência a estrela de Belém, que guiou os três reis magos até o local de nascimento de Cristo. Os corais datam da Idade Média e se popularizaram durante o Renascimento.

O Primeiro Papai Noel

Ele surgiu por volta do século V, em Myra, na Turquia. Era São Nicolau, bispo católico, que tinha hábitos de distribuir presentes aos pobres. Reza a lenda, que ele colocava moedas de ouro na meias dos mais pobres, que deixavam-nas secando penduradas na lareira.

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