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Archive for the ‘Filmes e Livros’ Category

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“Casos Filosóficos”, de Martin Cohen, publicado pela Civilização Brasileira será o primeiro de muitos livros que irei comentar aqui no blog.
No meio do ano passado eu estava procurando um livro de filosofia para entender melhor alguns autores tratados nas aulas de Teoria de História. De maneira bastante imprudente, entrei na livraria, verifiquei o índice, a editora e comprei, e corri para a aula…
Por que eu estou falando isso? Simplesmente porquê quando comece a ler minha nova aquisição me decepcionei… Não continha nada do que eu procurava: Uma breve explicação das teorias dos grandes filósofos que me servisse como ponto de partida nos meus estudos.

Resolvi dar uma segunda chance e comei a lê-lo novamente agora em janeiro. O autor que é professor e escritor, e ainda editor da “The Philosopher” no que seria a introdução/apresentação informa que este livro tem três funções positivas importantes combinadas “é [um livro] pequeno o suficiente para carregar por aí (e impressionar pessoas). É bastante informativo […] e [contém] petiscos filosóficos.” Para ele é uma forma alternativa de aprender filosofia.

Na minha opinião é impossível aprender filosofia com esse livro. Ele faz uma breve apresentação do filósofo, e tenta contextualizar a vida dele no que ele disse. Ou seja, se sua intenção é saber o que o filósofo disse, você não vai ter sucesso, afinal, não explica a teoria o pensamento principal com o qual o filósofo contribuiu para a história do pensamento ocidental, e a partir disso como podemos entender todo o pensamento da época que eles influenciaram e como isso ainda pode chegar até nós. É um livro pobre em informações desse tipo, se atendo mais a vida do filósofo e de algo que ele fez em vida que possa ser considerado um petisco (tradução: fofoca)… Por exemplo: Schopenhauer que jogou uma velhinha da escada.
Ao analisar a bibliografia percebemos que ele teve acesso a grandes títulos, mas fez pouco proveito. Alguns capítulos possuem uma nota final que não constam uma referência, ou seja, se você acha que algo importante foi dito por ele, tem que ficar revirando o livro pra tentar entender de onde ele tirou a referência.

Infelizmente, um mau negócio….

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Não sei quantas pessoas tiveram o prazer de assistir esse filme, do renomadíssimo diretor Clint Eastwood, que tem Leonardo DiCaprio estrelando no papel principal como o investigador policial John Edgar Hoover (1895-1972).
J. Edgar foi uma figura muito promissora. Formou-se em direito na Universidade de Washington, e aos 25 anos já trabalhava no departamento de Justiça do país, onde foi nomeado Diretor do Bureau de Investigação em 1924, onde atuou até 1972..
Para entender um pouco a atuação de J. Edgar é preciso voltar para 1908.

FBI – FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION

O FBI foi fundado em 1908. Neste momento os Estados Unidos já tinha passado por um processo de “encurtamento” territorial, ou seja, já havia meio de locomoção e comunicação, como: telégrafo, telefone, ferrovias e automóveis.
O processo de industrialização foi tão grande que os Estados Unidos estava extremamente rico e atraia imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles os europeus, muitos com ideais anarquistas, comunistas, etc. Além disso, houve o fato de aumento populacional dentro da América, fora os imigrantes, e no geral essa população vivia em cortiços lotados e em grande pobreza. Atraídos pelas ideologias trazidas pelos imigrantes, principalmente o anarquismo, essa população começou a saquear e de certa forma tornou-se uma ameaça ao Estado norte-americano. Diante de todo esse pano de fundo, achou-se necessário fundar um orgão de Investigação, principalmente dos imigrantes, para expulsá-los do país e manter a ordem.
Antes de J. Edgar houve 5 diretores do Bureau, mas ele foi o que ficou mais tempo na diretoria do FBI, cerca de 48 anos.

O que é mais interessante no filme em relação ao desenvolvimento do FBI é que J. Edgar tem um papel importantíssimo na forma de investigação. Ele quer identificações com digitais e dados pessoais de todas as pessoas que vivem no país (RG) coletadas e arquivadas num banco de dados; desenvolve um laboratório de perícia que servirá para analisar todos os documentos encontrados nas cenas de crime; avaliará todos os agentes e exigirá qualificações como: formação universitária, aptidão física, etc. E além disso, cria arquivos confidenciais a respeito de todos os que podem afetar a Nação e dos governantes. Ele faz com que o Bureau concentre todas as informações da Nação para o combate ao crime, mas utiliza também como forma de manipulação dos governantes.

Vida de J. Edgar

Há duas palavras que definiriam o que o filme passou: workholic e conflituosoAparece como um homem que vive para o trabalho.
Não existe muitas biografias que tratem da vida dele; as fontes são manchetes de jornais que o citavam, e pessoas que viviam em intimidade com ele, mas muitas especulações também.

No filme, ele nunca se casou, e é apresentado a forma como ele vivia e atuava.  Veja um trecho da entrevista da revista ISTO É com Clint Eastwood a respeito da personalidade de J. Edgar:

“Isto É: Ironicamente, o filme trata com bastante sutileza a suposta homossexualidade do ex-diretor do FBI.

 Clint Eastwood – O roteiro procurou incorporar todas as especulações sobre o personagem, inclusive a hipótese de que ele gostava de se vestir de mulher. Não seria justo, contudo, apresentar isso co­mo verdade. No filme ele só põe o vestido da mãe quando ela morre. E o que isso quer dizer? Que ele era gay ou que queria apenas se sentir perto da mãe? Tratamos da mesma maneira o seu suposto envolvimento com o seu assistente Clyde Tolson. Quem poderia saber se eles realmente foram amantes?

Isto É – Hoover gostava de se vangloriar na vida real. A cinebiografia não faz o mesmo com o personagem? 

Clint EastwoodSe eu não tivesse preenchido lacunas na sua vida, não teríamos filme algum. São poucos os livros publicados sobre ele e muitos apenas fazem especulações. Mesmo quando Hoover estava vivo, ninguém sabia muito sobre o homem, a não ser o que saía nos jornais.

 Isto É-Como ele era tratado pela mídia na época?

 Clint Eastwood -Como um dos policiais mais admirados e temidos do país. Eu mesmo cresci tendo Hoover como um herói. Só muito mais tarde descobri que a história não era bem assim.
Isto É -O que mais o fascina na personalidade de Hoover? 
 
Clint Eastwood -A sua obsessão pelo poder. Ele comprova a teoria de que as pessoas sempre fazem coisas estranhas quando estão no topo do mundo. A verdade é que ninguém deveria ficar no mesmo cargo por tanto tempo. No seu caso, foram 48 anos, é tempo demais. Muitas vezes, vemos os governantes perder a noção do que fazem em apenas alguns anos de administração.”

Os últimos anos de sua vida passou seguindo mais os movimentos pela liberdade dos negros do que investigando crimes.

CONCLUSÃO

É um filme sensacional. Apesar da falta de informação a respeito da vida de J. Edgar, reconhecida pelo próprio Clint Eastwood, o filme é muito bom.
Ele nos dá uma boa noção história, e é bem ambientalizado. Deixa claro os preconceitos e pensamento da época: a crítica contra o comunismo, anarquismo, racismo, homofobia, conflito psicológico e as convenções sociais. Mas todas essas questões são secundárias quando o assunto é a grandiosidade, repercurssão e importância política do personagem principal. Ele foi considerado o policial mais temido da época e gostava de ser admirado e louvado. Foi uma grande figura pública que revolucionou o FBI e a maneira de investigar os crimes.

“Isto É -Por que essa história é relevante nos dias de hoje?  Clint Eastwood -Podem ser feitas muitas analogias entre a trajetória dele e a sociedade atual. A paranoia que o levou à caça aos comunistas não é muito diferente do sentimento pós-11 de setembro, que mantém o mundo em constante tensão diante dos terroristas. O fato de ninguém conseguir tirá-lo do cargo também me lembra alguns figurões de hoje, pessoas que se recusam a perder o poder, seja o presidente de um estúdio de Hol­lywood, seja um magnata das comunicações. Essas pessoas esquecem que, ficando tempo demais num cargo, perdem a sua utilidade. “

 

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FONTES:
Site do FBI 
Entrevista do Clint Eastwood na revista ISTO É

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“Todas as almas são imortais, mas a alma do íntegro é imortal e divina”

É com essa citação de um filósofo grego que o filme Imortais começa e termina. Dos mesmos produtores de 300, trazendo do elenco como Teseu, Henry Cavill e o grande ator Mickey Rourke como o rei Hipérion, o filme é um show de efeitos visuais como 300, com as belas lutas sangrentas dinâmicas nos apresentada em câmera lenta. Sensacional.

Mas, se você que é historiador ou acredita que possa utilizar a obra como fonte de referência para mostrar aos alunos quem foi Teseu, essa não é a escolha.

O MITO

A versão mais aceita e difundida é a qual Teseu é apresentado como o filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do rei Piteu de Trezena- Peloponeso.  Há versões que apresentam Teseu como filho de Etra e Poseidon, portanto um semi deus. Este será conhecido como o deus protetor do herói.

Egeu afasta-se de Etra para salvar seu trono em Atenas e pede que ela conte a Teseu que é seu pai apenas quando for forte o suficiente para retirar a espada que deixara de debaixo de uma rocha. Esse feito é realizado quando ele completa 16 anos, e parte então, para encontrar o pai em Atenas.

Suas aventuras têm início no decorrer do caminho, e são 14 feitos, tais como em Epidouro quando vence Perifetes, filho de Hefesto, e consegue a clava de ferro que será sua arma; em Corinto, quando encontra Sínis, filho de Poseidon, e o lança amarrado em um pinheiro; a derrota da bruxa Faia e seu javali; a derrota do gigante Skyron, em Mégara; a morte do lutador Kerkyon;  e a derrota de Procusto, famoso por adequar as pessoas a sua cama de ferro.
Em Atenas, Teseu é recebido por sua madrasta, Medéia, que para tirá-lo do caminho do trono de seus filhos incita-o a enfrentar o touro de Maratona, o qual ele derrota. Seu pai, o reconhecendo expulsa Medéia, pois essa planejava envenená-lo. Ainda livra Atenas do jugo do Minotauro, com a ajuda de Ariadne. Após vencê-lo, Teseu deveria içar uma vela branca para seu pai Egeu saber que ele estava vivo, como Teseu esquece, Egeu acreditando ter seu filho morto, joga-se de um penhasco ao mar, que receberá seu nome: o mar Egeu. Teseu então, torna-se rei de Atenas, enfrenta as amazonas e tem um filho Hipólito, com a rainha das amazonas, Antíope.

No século V a.C., Teseu ganhou contornos verdadeiros. Não há confirmação de sua existências, mas os atenienses clássicos atribuem a ele a função de ter unido a Ática unindo-se aos espartanos contra os persas.

O FILME

A narrativa do filme é bem diferente da narrativa mítica. Num primeiro momento, antes de saber qual a história e ver o trailer do filme, quando ouvi dizer o nome Imortais, pensei logo nos guerreiros de elite persas. Me enganei.

No filme, Teseu é criado por sua mãe e é cético em relação aos deuses e tem como tutor Zeus, na aparência de um velho sábio que jamais se revela para ele como deus. É um camponês, filho bastardo que não tem o pai revelado no filme, e a mãe é a todo momento chamada de meretriz, pois dizem que fora estuprada por vários camponeses e depois não houve quem quisesse desposá-la.

O rei Hipérion está em busca de imortalidade, de propagar seus descendentes e que seu nome sempre seja lembrado, para isso ele tenta um grande feito: libertar os Titãs do Tártaro. Na mitologia, os deuses do Olimpo derrotaram os Titãs, inclusive Chronos, pais de Zeus, e foram aprisionados, com exceção do titã Atlas, que foi castigado a carregar o mundo nas costas.

Para libertar os Titãs, Hipérion tenta conseguir a informação de onde esta o arco de Épiro, que teria sido criada por Ares e permitiria libertar os titãs do Tártaro.

Hipérion mata a mãe de Teseu, e este sai em busca de vingança, encontra o arco de Épiro que é roubado pelas tropas de Hipérion. Este liberta os titãs do Tártaro e os deuses do Olimpo vem em auxílio para derrotá-los e impedí-los que saiam do Tártaro, façanha que é bem sucedida.

Teseu então é transformado em deus após matar o rei Hipérion, deixando como descendente o filho que teve com a profetisa que o guia.

CONCLUSÃO

Apesar de contar uma história inexistente na mitologia e não incorporar fatores fundamentais da vida de Teseu, e dar alguns deslizes como por exemplo a proteção por Zeus e não por Poseidon, ou a violação da oráculo sem consequência nenhuma, é um filme que vale a pena ser visto, pois trás um ponto de vista diferente a respeito de Teseu, dele sendo um simples mortal, mas de integridade tal que é  o preferido dos deuses e encarregado de salvar os helenos. Mesmo retratando essa história inexistente na mitologia, nos aproxima da história verdadeira em que os atenienses acreditavam que Teseu lutara em Tróia, e unificara a Ática, a ponto de Tucídides acreditar na sua existência, talvez seja essa versão da história do homem sobre o mito que foi tentada passar.

Devido a tudo isso que foi dito, com certeza eu recomendo o filme.

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