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Archive for abril \23\UTC 2012

Não sei quantas pessoas tiveram o prazer de assistir esse filme, do renomadíssimo diretor Clint Eastwood, que tem Leonardo DiCaprio estrelando no papel principal como o investigador policial John Edgar Hoover (1895-1972).
J. Edgar foi uma figura muito promissora. Formou-se em direito na Universidade de Washington, e aos 25 anos já trabalhava no departamento de Justiça do país, onde foi nomeado Diretor do Bureau de Investigação em 1924, onde atuou até 1972..
Para entender um pouco a atuação de J. Edgar é preciso voltar para 1908.

FBI – FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION

O FBI foi fundado em 1908. Neste momento os Estados Unidos já tinha passado por um processo de “encurtamento” territorial, ou seja, já havia meio de locomoção e comunicação, como: telégrafo, telefone, ferrovias e automóveis.
O processo de industrialização foi tão grande que os Estados Unidos estava extremamente rico e atraia imigrantes de diversas partes do mundo, entre eles os europeus, muitos com ideais anarquistas, comunistas, etc. Além disso, houve o fato de aumento populacional dentro da América, fora os imigrantes, e no geral essa população vivia em cortiços lotados e em grande pobreza. Atraídos pelas ideologias trazidas pelos imigrantes, principalmente o anarquismo, essa população começou a saquear e de certa forma tornou-se uma ameaça ao Estado norte-americano. Diante de todo esse pano de fundo, achou-se necessário fundar um orgão de Investigação, principalmente dos imigrantes, para expulsá-los do país e manter a ordem.
Antes de J. Edgar houve 5 diretores do Bureau, mas ele foi o que ficou mais tempo na diretoria do FBI, cerca de 48 anos.

O que é mais interessante no filme em relação ao desenvolvimento do FBI é que J. Edgar tem um papel importantíssimo na forma de investigação. Ele quer identificações com digitais e dados pessoais de todas as pessoas que vivem no país (RG) coletadas e arquivadas num banco de dados; desenvolve um laboratório de perícia que servirá para analisar todos os documentos encontrados nas cenas de crime; avaliará todos os agentes e exigirá qualificações como: formação universitária, aptidão física, etc. E além disso, cria arquivos confidenciais a respeito de todos os que podem afetar a Nação e dos governantes. Ele faz com que o Bureau concentre todas as informações da Nação para o combate ao crime, mas utiliza também como forma de manipulação dos governantes.

Vida de J. Edgar

Há duas palavras que definiriam o que o filme passou: workholic e conflituosoAparece como um homem que vive para o trabalho.
Não existe muitas biografias que tratem da vida dele; as fontes são manchetes de jornais que o citavam, e pessoas que viviam em intimidade com ele, mas muitas especulações também.

No filme, ele nunca se casou, e é apresentado a forma como ele vivia e atuava.  Veja um trecho da entrevista da revista ISTO É com Clint Eastwood a respeito da personalidade de J. Edgar:

“Isto É: Ironicamente, o filme trata com bastante sutileza a suposta homossexualidade do ex-diretor do FBI.

 Clint Eastwood – O roteiro procurou incorporar todas as especulações sobre o personagem, inclusive a hipótese de que ele gostava de se vestir de mulher. Não seria justo, contudo, apresentar isso co­mo verdade. No filme ele só põe o vestido da mãe quando ela morre. E o que isso quer dizer? Que ele era gay ou que queria apenas se sentir perto da mãe? Tratamos da mesma maneira o seu suposto envolvimento com o seu assistente Clyde Tolson. Quem poderia saber se eles realmente foram amantes?

Isto É – Hoover gostava de se vangloriar na vida real. A cinebiografia não faz o mesmo com o personagem? 

Clint EastwoodSe eu não tivesse preenchido lacunas na sua vida, não teríamos filme algum. São poucos os livros publicados sobre ele e muitos apenas fazem especulações. Mesmo quando Hoover estava vivo, ninguém sabia muito sobre o homem, a não ser o que saía nos jornais.

 Isto É-Como ele era tratado pela mídia na época?

 Clint Eastwood -Como um dos policiais mais admirados e temidos do país. Eu mesmo cresci tendo Hoover como um herói. Só muito mais tarde descobri que a história não era bem assim.
Isto É -O que mais o fascina na personalidade de Hoover? 
 
Clint Eastwood -A sua obsessão pelo poder. Ele comprova a teoria de que as pessoas sempre fazem coisas estranhas quando estão no topo do mundo. A verdade é que ninguém deveria ficar no mesmo cargo por tanto tempo. No seu caso, foram 48 anos, é tempo demais. Muitas vezes, vemos os governantes perder a noção do que fazem em apenas alguns anos de administração.”

Os últimos anos de sua vida passou seguindo mais os movimentos pela liberdade dos negros do que investigando crimes.

CONCLUSÃO

É um filme sensacional. Apesar da falta de informação a respeito da vida de J. Edgar, reconhecida pelo próprio Clint Eastwood, o filme é muito bom.
Ele nos dá uma boa noção história, e é bem ambientalizado. Deixa claro os preconceitos e pensamento da época: a crítica contra o comunismo, anarquismo, racismo, homofobia, conflito psicológico e as convenções sociais. Mas todas essas questões são secundárias quando o assunto é a grandiosidade, repercurssão e importância política do personagem principal. Ele foi considerado o policial mais temido da época e gostava de ser admirado e louvado. Foi uma grande figura pública que revolucionou o FBI e a maneira de investigar os crimes.

“Isto É -Por que essa história é relevante nos dias de hoje?  Clint Eastwood -Podem ser feitas muitas analogias entre a trajetória dele e a sociedade atual. A paranoia que o levou à caça aos comunistas não é muito diferente do sentimento pós-11 de setembro, que mantém o mundo em constante tensão diante dos terroristas. O fato de ninguém conseguir tirá-lo do cargo também me lembra alguns figurões de hoje, pessoas que se recusam a perder o poder, seja o presidente de um estúdio de Hol­lywood, seja um magnata das comunicações. Essas pessoas esquecem que, ficando tempo demais num cargo, perdem a sua utilidade. “

 

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FONTES:
Site do FBI 
Entrevista do Clint Eastwood na revista ISTO É

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