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Archive for janeiro \05\UTC 2012

“Todas as almas são imortais, mas a alma do íntegro é imortal e divina”

É com essa citação de um filósofo grego que o filme Imortais começa e termina. Dos mesmos produtores de 300, trazendo do elenco como Teseu, Henry Cavill e o grande ator Mickey Rourke como o rei Hipérion, o filme é um show de efeitos visuais como 300, com as belas lutas sangrentas dinâmicas nos apresentada em câmera lenta. Sensacional.

Mas, se você que é historiador ou acredita que possa utilizar a obra como fonte de referência para mostrar aos alunos quem foi Teseu, essa não é a escolha.

O MITO

A versão mais aceita e difundida é a qual Teseu é apresentado como o filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do rei Piteu de Trezena- Peloponeso.  Há versões que apresentam Teseu como filho de Etra e Poseidon, portanto um semi deus. Este será conhecido como o deus protetor do herói.

Egeu afasta-se de Etra para salvar seu trono em Atenas e pede que ela conte a Teseu que é seu pai apenas quando for forte o suficiente para retirar a espada que deixara de debaixo de uma rocha. Esse feito é realizado quando ele completa 16 anos, e parte então, para encontrar o pai em Atenas.

Suas aventuras têm início no decorrer do caminho, e são 14 feitos, tais como em Epidouro quando vence Perifetes, filho de Hefesto, e consegue a clava de ferro que será sua arma; em Corinto, quando encontra Sínis, filho de Poseidon, e o lança amarrado em um pinheiro; a derrota da bruxa Faia e seu javali; a derrota do gigante Skyron, em Mégara; a morte do lutador Kerkyon;  e a derrota de Procusto, famoso por adequar as pessoas a sua cama de ferro.
Em Atenas, Teseu é recebido por sua madrasta, Medéia, que para tirá-lo do caminho do trono de seus filhos incita-o a enfrentar o touro de Maratona, o qual ele derrota. Seu pai, o reconhecendo expulsa Medéia, pois essa planejava envenená-lo. Ainda livra Atenas do jugo do Minotauro, com a ajuda de Ariadne. Após vencê-lo, Teseu deveria içar uma vela branca para seu pai Egeu saber que ele estava vivo, como Teseu esquece, Egeu acreditando ter seu filho morto, joga-se de um penhasco ao mar, que receberá seu nome: o mar Egeu. Teseu então, torna-se rei de Atenas, enfrenta as amazonas e tem um filho Hipólito, com a rainha das amazonas, Antíope.

No século V a.C., Teseu ganhou contornos verdadeiros. Não há confirmação de sua existências, mas os atenienses clássicos atribuem a ele a função de ter unido a Ática unindo-se aos espartanos contra os persas.

O FILME

A narrativa do filme é bem diferente da narrativa mítica. Num primeiro momento, antes de saber qual a história e ver o trailer do filme, quando ouvi dizer o nome Imortais, pensei logo nos guerreiros de elite persas. Me enganei.

No filme, Teseu é criado por sua mãe e é cético em relação aos deuses e tem como tutor Zeus, na aparência de um velho sábio que jamais se revela para ele como deus. É um camponês, filho bastardo que não tem o pai revelado no filme, e a mãe é a todo momento chamada de meretriz, pois dizem que fora estuprada por vários camponeses e depois não houve quem quisesse desposá-la.

O rei Hipérion está em busca de imortalidade, de propagar seus descendentes e que seu nome sempre seja lembrado, para isso ele tenta um grande feito: libertar os Titãs do Tártaro. Na mitologia, os deuses do Olimpo derrotaram os Titãs, inclusive Chronos, pais de Zeus, e foram aprisionados, com exceção do titã Atlas, que foi castigado a carregar o mundo nas costas.

Para libertar os Titãs, Hipérion tenta conseguir a informação de onde esta o arco de Épiro, que teria sido criada por Ares e permitiria libertar os titãs do Tártaro.

Hipérion mata a mãe de Teseu, e este sai em busca de vingança, encontra o arco de Épiro que é roubado pelas tropas de Hipérion. Este liberta os titãs do Tártaro e os deuses do Olimpo vem em auxílio para derrotá-los e impedí-los que saiam do Tártaro, façanha que é bem sucedida.

Teseu então é transformado em deus após matar o rei Hipérion, deixando como descendente o filho que teve com a profetisa que o guia.

CONCLUSÃO

Apesar de contar uma história inexistente na mitologia e não incorporar fatores fundamentais da vida de Teseu, e dar alguns deslizes como por exemplo a proteção por Zeus e não por Poseidon, ou a violação da oráculo sem consequência nenhuma, é um filme que vale a pena ser visto, pois trás um ponto de vista diferente a respeito de Teseu, dele sendo um simples mortal, mas de integridade tal que é  o preferido dos deuses e encarregado de salvar os helenos. Mesmo retratando essa história inexistente na mitologia, nos aproxima da história verdadeira em que os atenienses acreditavam que Teseu lutara em Tróia, e unificara a Ática, a ponto de Tucídides acreditar na sua existência, talvez seja essa versão da história do homem sobre o mito que foi tentada passar.

Devido a tudo isso que foi dito, com certeza eu recomendo o filme.

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Especialistas que analisaram uma inscrição de 2.600 anos dizem que ela é uma espécie de placa comemorativa da inauguração da Torre de Babel, com detalhes do projeto celebrizado pela Bíblia.

A conclusão está num novo livro de título indigesto, “Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schoyen Collection” (“Inscrições Reais em Cuneiforme e Textos Relacionados da Coleção Schoyen”).

Martin Schoyen é um empresário norueguês, dono de uma coleção de antiguidades que inclui, entre outras coisas, inscrições em cuneiforme (difícil sistema de escrita do antigo Oriente Médio) feitas a mando dos reis da Mesopotâmia, no atual Iraque.

Entre essas inscrições está a estela –essencialmente um poste de pedra– erigida quando Nabucodonosor 2º governava a Babilônia, entre 605 a.C. e 562 a.C. Coberta com textos e desenhos, a estela relata a construção de uma obra que, se fosse egípcia, teria porte faraônico.

Divulgação
A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de Nabucodonosor
A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de Nabucodonosor

TERRA E CÉU

Seu nome era Etemenanki. Em sumério, idioma que já era arcaico nos tempos de Nabucodonosor 2º, a palavra significa “templo das fundações da terra e do céu”. E o rei da Babilônia carrega nas tintas propagandísticas ao descrever como construiu a estrutura, cuja altura, segundo relatos posteriores, chegava a mais de 90 m.

“[Para construí-la] mobilizei todos em todo lugar, cada um dos governantes que alcançaram a grandeza entre todos os povos do mundo. Preenchi a base para fazer um terraço elevado. As estruturas construí com betume e tijolo. Completei-a erguendo seu topo até o céu, fazendo-a brilhar como o Sol”, diz a inscrição na pedra.

O templo era dedicado ao deus Marduk, patrono da dinastia de Nabucodonosor.

ZIGURATE

A estrutura, que lembra um pouco uma pirâmide com degraus, encaixa-se na categoria dos zigurates, comum na arquitetura dos templos da antiga Mesopotâmia.

A equipe liderada por Andrew George, especialista em babilônio do University College de Londres, publicou pela primeira vez a descrição detalhada da estela no livro.

Para eles, a probabilidade de que o zigurate gigante tenha sido a inspiração para o relato bíblico da Torre de Babel é considerável. Para começar, já se sabia que “Babel” (“A Porta do Deus”) é apenas o nome dado pelos antigos hebreus à Babilônia.

Em segundo lugar, foi Nabucodonosor 2º o responsável por destruir o último reino israelita independente, o de Judá, arrasando o templo de Jerusalém e deportando milhares de pessoas da terra de Israel para a Babilônia no ano 586 a.C.

Os deportados israelitas, portanto, teriam tido a chance de ver de perto a maior das obras de seu opressor, justamente no período em que, segundo a maior parte dos estudiosos atuais, o texto da Bíblia estava sendo editado e consolidado no exílio.

A inspiração para a história do rei que tentou construir uma torre até o céu, portanto, teria vindo nessa época.

Se a hipótese de George e seus colegas estiver correta, a imagem na estela é a mais antiga representação da Torre de Babel, que acabaria inspirando inúmeros artistas da Idade Média até hoje. Uma identificação definitiva, contudo, é difícil de provar sem evidências mais diretas.


MATÉRIA RETIRADA DO CADERNO CIÊNCIA DA FOLHA DE SÃO PAULO, POR REINALDO JOSÉ LOPES – EDITOR DE “CIÊNCIA E SAÚDE”

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