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Archive for janeiro \31\UTC 2011

Pouca gente se dá conta, mas muitos hábitos, conceitos e objetos tão presentes no nosso dia-a-dia, inclusive o próprio idioma que falamos, vêm daquela época.
Muitos professores consideram especialmente árdua a tarefa de ensinar História Medieval. A distância que separa os alunos de época tão remota, argumentam alguns, seria um dos principais obstáculos. Como despertar seu interesse por tema tão antigo? Como passar às novas gerações conceitos, idéias e fatos que, aparentemente, têm tão pouco a ver com o mundo de hoje? Mas seria bem diferente se eles mostrassem a seus discípulos que, como veremos a seguir, e embora muita gente não se dê conta, nosso próprio cotidiano está impregnado de hábitos, costumes e objetos que vêm de muito mais longe do que se pode imaginar.
Ao tratarmos da História do Brasil, por exemplo, a tendência é começar no dia 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral e os tripulantes de sua esquadra “descobriram” nossa terra. Mas aqueles homens não traziam atrás de si, dentro de si, toda uma história? Não trouxeram para cá amplo conjunto de instituições, comportamentos e sentimentos? Aquilo que é até hoje o Brasil não tem boa parte da sua identidade definida pela longa história anterior de seus “descobridores”? Dizendo de outro modo, nossas raízes são medievais, percebamos ou não este fato.

Pensemos num dia comum de uma pessoa comum. Tudo começa com algumas invenções medievais: ela põe sua roupa de baixo (que os romanos conheciam mas não usavam), veste calças compridas (antes, gregos e romanos usavam túnica, peça inteiriça, longa, que cobria todo o corpo), passa um cinto fechado com fivela (antes ele era amarrado). A seguir, põe uma camisa e faz um gesto simples, automático, tocando pequenos objetos que também relembram a Idade Média, quando foram inventados, por volta de 1204: os botões. Então ela põe os óculos (criados em torno de 1285, provavelmente na Itália) e vai verificar sua aparência num espelho de vidro (concepção do século XIII). Por fim, antes de sair olha para fora através da janela de vidro (outra invenção medieval, de fins do século XIV) para ver como está o tempo.

Ao chegar na escola ou no trabalho, ela consulta um calendário e verifica quando será, digamos, a Páscoa este ano: 23 de março de 2008. Assim fazendo, ela pratica sem perceber alguns ensinamentos medievais. Foi um monge do século VI que estabeleceu o sistema de contar os anos a partir do nascimento de Cristo. Essa data (25 de dezembro) e o dia de Páscoa (variável) também foram estabelecidos pelos homens da Idade Média. Mais ainda, ao escrever aquela data – 23/3/2008 –, usamos os chamados algarismos arábicos, inventados na Índia e levados pelos árabes para a Europa, onde foram aperfeiçoados e difundidos desde o começo do século XIII. O uso desses algarismos permitiu progressos tanto nos cálculos cotidianos quanto na matemática, por serem bem mais flexíveis que os algarismos romanos anteriormente utilizados. Por exemplo, podemos escrever aquela data com apenas sete sinais, mas seria necessário o dobro em algarismos romanos (XXIII/III/MMVIII).

Para começar a trabalhar, a pessoa possivelmente abrirá um livro para procurar alguma informação, e assim homenageará de novo a Idade Média, época em que surgiu a idéia de substituir o incômodo rolo no qual os romanos escreviam. Com este, quando se queria localizar certa passagem do texto, era preciso desenrolar metros de folhas coladas umas nas outras. Além disso, o rolo desperdiçava material e espaço, pois nele se escrevia apenas de um lado das folhas. O formato bem mais interessante do livro ficou ainda melhor com a invenção da imprensa, em meados do século XV, que permitiu multiplicar os exemplares e assim barateá-los. Tendo encontrado o que queria, a pessoa talvez pegue uma folha em branco para anotar e, outra vez, faz isso graças aos medievais. Deles recebemos o papel, inventado anteriormente na China, mas popularizado na Europa a partir do século XII. Mesmo ao passar suas idéias para o computador, a pessoa não abandona a herança medieval. O formato das letras que ali aparecem, assim como em jornais, revistas, livros e na nossa caligrafia, foi criado por monges da época de Carlos Magno.

Sentindo fome, a pessoa levanta os olhos e consulta o relógio na parede da sala, imitando gesto inaugurado pelos medievais. Foram eles que criaram, em fins do século XIII, um mecanismo para medir o passar do tempo, independentemente da época do ano e das condições climáticas. Sendo hora do almoço, a pessoa vai para casa ou para o restaurante e senta-se à mesa. Eis aí outra novidade medieval! Na Antiguidade, as pessoas comiam recostadas numa espécie de sofá, apoiadas sobre o antebraço. Da mesma forma que os medievais, pegamos os alimentos com colher (criada aproximadamente em 1285) e garfo (século XI, de uso difundido no XIV). Terminada a refeição, a pessoa passa no banco, que, como atividade laica, nasceu na Idade Média. Depois, para autenticar documentos, dirige-se ao cartório, instituição que desde a Alta Idade Média preservava a memória de certos atos jurídicos (“escritura”), fato importante numa época em que pouca gente sabia escrever.

À noite, enfim, a pessoa vai à universidade, instituição que em pleno século XXI ainda guarda as características básicas do século XII, quando surgiu. As aulas, com freqüência, são dadas a partir de um texto que é explicado pelo professor e depois debatido pelos alunos. Alguns deles recebem um auxílio financeiro para poderem estudar, como no colégio fundado pelo cônego Roberto de Sorbon (1201-1274) e que se tornaria o centro da Universidade de Paris. Depois de mais um dia de trabalho e estudo, algumas pessoas querem relaxar um pouco e passam na casa de amigos para jogar cartas, divertimento criado em fins do século XIV, como lembram os desenhos dos naipes e a existência de reis, rainhas e valetes. Outros preferem manter a mente bem ativa e vão praticar xadrez, jogo muito apreciado pela nobreza feudal, daí a presença de peças como os bispos, as torres e as rainhas.

Durante todas essas atividades, pensamos, falamos, lemos e escrevemos em português, sem, na maioria das vezes, nos darmos conta de que esse elemento central do patrimônio cultural brasileiro vem da Idade Média. E não só porque a nossa língua nasceu em Portugal medieval. Como qualquer língua, com o passar do tempo o português falado na sua terra de origem foi se alterando bastante. Muitas características do idioma falado hoje em dia em Portugal – inclusive o que chamamos de sotaque daquele povo – são do século XIX. Mas no Brasil aquele idioma foi introduzido no século XVI por colonos que falavam da mesma forma que cem ou duzentos anos antes, isto é, como em Portugal medieval. Além disso, sendo o Brasil muito vasto e muito distante da metrópole portuguesa, as lentas transformações na língua demoravam mais para chegar aqui. Em resumo, falamos hoje um português mais parecido com o da Idade Média do que com o de Portugal moderno.

Estudos recentes mostraram que idosos analfabetos do interior de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo usavam, em fins do século XX, formas do português dos séculos XIII-XVI. Essas pessoas ainda falam esmolna em vez de “esmola”, pessuir e não “possuir”, despois no lugar de “depois”, preguntar para dizer “perguntar”. Contudo, não se trata propriamente de erros, e sim de exemplos de manutenção de formas antigas, levadas àqueles locais pelos bandeirantes nos séculos XVI e XVII. Devido ao isolamento e à pobreza daquelas regiões, esse modo de falar prolongou-se pelos séculos seguintes.

Basta uma rápida olhada em qualquer aglomerado humano no Brasil, seja no metrô, num estádio de futebol ou simplesmente nas ruas, para se constatar o que todos sabemos: a população brasileira tem alto grau de mestiçagem. Nada estranho, já que a terra era habitada por diferentes tribos indígenas quando os portugueses aqui chegaram, e logo foram introduzidos muitos escravos africanos. O que se ignora com freqüência, porém, é que se os dominadores portugueses aceitaram com facilidade a mestiçagem, é porque ela fazia parte da sua prática social havia muito tempo. Eles resultavam da mistura entre celtas, romanos, germanos, berberes (população do norte africano), árabes, judeus e negros. Importantes historiadores já afirmaram que, pelo menos até o século XIV, os mouros não devem ser considerados uma etnia, e sim uma minoria religiosa, porque, em termos raciais, não havia diferença entre portugueses cristãos e portugueses muçulmanos. Portanto, os portugueses já eram mestiços ao chegarem à América, o que facilitou a mistura racial na colônia.

Estudar História – de qualquer época e de qualquer local – não deve ser tarefa utilitarista, não deve “servir” para alguma coisa específica. A função de seu estudo é mais ampla e importante; é desenvolver o espírito crítico, é exercitar a cidadania. Ninguém pode atingir plenamente a maturidade sem conhecer a própria história, e isso inclui, como não poderia deixar de ser, as fases mais recuadas do nosso passado. Assim, estudar História Medieval é tão legítimo quanto optar por qualquer outro período. Mas não se deve, é claro, desprezar pedagogicamente a relação existente entre a realidade estudada e a realidade do estudante. Neste sentido, pode ser estimulante mostrar que, mesmo no Brasil, a Idade Média, de certa forma, continua viva.

Hilário Franco Jr.
Hilário Franco Júnior é professor da Universidade de São Paulo e autor de A Idade Média, nascimento do Ocidente (Brasiliense, 2006) e de “Raízes medievais do Brasil” (Revista USP, 2008).
Curriculum Lattes
Texto retirado de “Revista de História da Biblioteca Nacional” , publicado em 01/03/2008.

Para saber mais:

FRUGONI, Chiara. Invenções da Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.

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No dia 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler assumiu o posto de chanceler  da Alemanha. Entre 1934 e 1939, o partido nazista iniciou uma série de medidas para juntar o partido nazista e o governo alemão numa única entidade. O primeiro ato de Hitler para juntar o partido nazista e o governo alemão aconteceu com a morte do presidente Von Hindenburg, em agosto de 1934. Três horas antes da morte de Hindenburg, o governo de Hitler promulgou uma lei que teria efeito a partir da morte daquele e que prescrevia que o posto de presidente seria unido ao de Chanceler, e que Hitler seria desde então o Führer e o Reichkanzler (chanceler) da Alemanha. Com este ato, Hitler fez de si mesmo o Chefe de Estado, chefe do governo e presidente do partido nazista num só posto. 
Para ter a grande aceitação do povo alemão, Hitler utilizou-se da propaganda, e principalmente da violência.

 
3. “Um povo, uma nação, um líder” – Propaganda Nazista

Joseph Goebbels - Ministro da Propaganda

 O sucesso e a aceitação do governo do partido Nacional Socialista se deve, em grande parte, ao poder de sua propaganda. Sob o comando de Joseph Goebbels, a máquina publicitária alemã divulgou de incontáveis maneiras o lema máximo do Estado nazista: Ein volk, ein reich, ein füher, “um povo, uma nação, um líder”.
O alemão Joseph Goebbels (1897-1945) doutor em Filosofia e famoso por sua mente e discursos afiados, foi nomeado, em 1933, como Ministro da Propaganda do Terceiro Reich. Exerceu total controle sobre os meios de comunicação e obteve apoio maciço da população a favor de Hitler. É o responsável pelas frases: “Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”; “Toda propaganda deve ser popular, adaptando seu nível ao menos inteligente dos indivíduos”; “Quanto maior seja a massa a se convencer, menor há de ser o esforço mental a realizar”. É apontado como mentor do massacre da Kristallnacht (Noite dos Cristais) quando em 1938 instigou uma retaliação ao assassinato de um diplomata alemão cometido por um judeu, convocando a população a destruir casas, sinagogas e lojas da comunidade judaica, gerando 90 judeus mortos e 20 mil enviados ao campo de concentração.
Esteve todo o tempo ao lado de Hitler inclusive quando este cometeu suicídio. Após a morte do Führer, ele e sua esposa Magda seguiram seu exemplo e tirou a vida dos filhos também.

 

4. SA, SS, GESTAPO e SD – Polícia Nazista

Hermann Goering

Em 1923 surge a Sturmabteilung a Seção de Assalto. Trata-se da polícia paramilitar, ou seja, aquela que imita a estrutura do exército sem fazer parte dele, que serviu Hitler e o Partido NAZI quando este exerceu seu poder na Alemanha. Sua função era exercer o terror contra os inimigos do nazismo. Hitler apontou Hermann Goering como líder da SA, logo que ela surgiu. Porém, apesar de ter sido uma instituição muito ativa, seus membros começaram a denegrir a sua imagem.
Hermann Goering (1893-1946) foi eleito deputado em 1928 do Reichstag, o parlamento alemão, tornou-se líder da instituição em 1932. No Parlamento atuou como uma das forças que contribuíram para a nomeação de Hitler como chanceler. No Terceiro Reich, foi nomeado Ministro do Interior e comandante da Luftwaffe. Ao lado de Himmler, foi responsável pela implantação dos campos de concentração.
Em 1945, refugiou-se na Baviera com a família. Foi o líder da mais alta patente a ser julgado no Tribunal de Nuremberg, e fora condenado à forca, porém cometeu suicídio um dia antes engolindo uma cápsula de cianureto.
Durante a Segunda Guerra, a SA passou a ser liderada por Ernst Röhm.

Heinrich Himmler

Dentro da SA surgiu a Schutzstaffel, SS, Tropa de Proteção, pois a SA era uma polícia semi-independente e essa relativa autonomia ameaçava o poder de Hitler. Aos poucos, Hitler substituiu a SA pela SS, que no princípio tinha como função proteger os membros de alta patente do partido nazista nas ocasiões públicas. Somente em 1925, ela foi organizada como tropa de proteção pessoal de Hitler. Os seus membros eram selecionados pela “pureza” de sangue e fiéis ao partido nazista. A SS tornou-se o exército nazista  que teve muita influência no Terceiro Reich.  Somente em 1929, quando Hitler nomeou Heinrich Himmiler (1900-1945) como líder da SS, que fez que o número de membros de 280 atingisse 200 mil pessoas, e chegaria a atingir mais de 1 milhãos de membros. Ela cresceu tanto que em 1939 passou a ter um próprio exército, a Waffen SS que tinha total independência do exército principal.  A SS absorveu também a GESTAPO, que era a polícia secreta nazista. A GESTAPO nasceu em 1933 para esmagar a oposição a Adolf Hitler. Foi responsável por abolir as liberdades de expressão, imprensa e associação. A GESTAPO funcionava sem tribunal e decidia quais as sanções a serem aplicadas. Ficou famosa por aplicar métodos de tortura para obter qualquer informação que considerasse útil.
Himmler recebeu a função de comandar os campos de concentração em 1939 e os campos de extermínio, em 1941.
Em 1945, Himmler estava descrente com a vitória alemã, e passou a tentar negociar a paz com os Aliados. Hitler encarou isso como traição e o destituiu do cargo de líder da SS. Foi capturado pelas tropas britânicas, e cometeu suicídio por envenenamento.

Reinhard Heydrich

Em 1936, a GESTAPO passou sob o comando de Reinhard Heydrich. Foi tão eficiente no cargo que Himmler lhe dera, que passou a ser responsável pela SD, a polícia de segurança do regime nazista. A SD atuava junto com a GESTAPO.
Reinhard Heydrich (1904-1942) foi o principal articulista da operação que resultou no fim da SA e na execução de seu líder Ernst Röhm, que fora acusado de tentar tomar o poder. Isso ocorreu em 1934, e ficou conhecido como “Noite de Longas Facas”.
Foi escolhido para comandar o Escritório Central para a emigração de Judeus,e em 1942 conduziu a Conferência de Wannsee, que se tornou o evento-chave para o extermínio judeu. No mesmo ano, foi vítima de um atentado fatal em Praga, o que serviu de incentivo para os nazistas levarem o Holocausto as ultimas consequências.

Fontes
Portal Segunda Guerra Mundial
Revista História- Nazismo.nº1. Tríada, ano 2008.
Revista Aventuras na História – GESTAPO. Edição 86, setembro 2010.

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1. Principais fatores que levaram a implantação do nazismo na Alemanha

Tratado de Versalhes

Em 11 de novembro de 1918, o governo alemão assinava o armistício em situação desvantajosa. Após sua rendição, realizou-se na França uma série de conferências entre as  vinte e sete nações vencedoras participantes da Primeira Guerra. Sob a liderança dos EUA, Inglaterra e França nasceu o Tratado de Versalhes assinado em 28 de junho de 1919.
Este tratado estipulava uma série de obrigações à Alemanha, país que perdera a guerra, dentre eles:
* restituir a região da Alsácia- Lorena á França;
* ceder outras regiões à Bélgica, à Dinamarca e à Polônia;
* entregar quase todos os seus navios mercantes à França, à Inglaterra e à Bélgica;
* pagar uma indenização em dinheiro aos países vencedores;
* reduzir o poderio militar de seus exércitos, sendo proibida de constituir aviação militar;
*Art.45 – Alemanha cede à França a propriedade absoluta […], com direito total de exploração, das minas de carvão situadas na bacia do rio Sarre.
* Art.80 – A Alemanha reconhece e respeitará a estritamente a independência da Áustria.
*Art.119- A Alemanha renuncia, em favor das potências aliadas, a todos os direitos sobre as colônias ultramarinas.
* Art.171- Estão proibidas na Alemanha a fabricação e a importação de carros blindados, tanques ou qualquer outro instrumento que sirva a objetivos de guerra.
*Art.232- A Alemanha se compromete a reparar todos os danos causados à população civil das potências aliadas e a seus bens.

Os alemães consideravam  o Tratado de Versalhes injusto, humilhante e vingativo. Já durante a Primeira Guerra, a fome alastrou a Alemanha tornando alimentos como leite, batatas em produtos de luxo encontrados apenas no “mercado negro” e comprados pelos ricos. Se os alimentos, raramente, estivessem a venda eram racionados. O roubo tornou-se uma prática comum, e roubava-se desde roupas até cães para se matar a fome. O pós-guerra não melhorou a situação da Alemanha, pois este foi um dos países que ficou com uma grave crise sócio-econômica e um grande número de mortos. O Tratado de Versalhes veio intensificar a situação de crise. Anos depois com a crise de 1929 a situação só veio a se agravar, pois atingiu os países, em proporções diferentes, que lutaram na Primeira Guerra, realçando seus problemas socioeconômicos. Essa crise gerou conflitos entre as classes sociais, fazendo que inúmeros membros da elite se mostrassem favoráveis a formação de um regime autoritário que recompusesse a ordem capitalista.
Nesse momento, os regimes autoritários são vistos como a solução para o fim da crise socioeconômica. Este governo forte controlaria diversos setores da vida social, como os meios de comunicação, órgãos de segurança, sindicatos, etc. Seria o fim da democracia liberal. Um único partido determinaria a política do país.
Vale lembrar que a Revolução Russa de 1917 era uma ameaça aos interesses das elites, o que a levou a apoiar esses regimes autoritários.  De acordo com o historiador Michael Burleigh em seu livro “Third Reich: a New History”, os nazistas nunca teriam conseguido tomar o poder sem o consentimento do povo, “a Alemanha estava desesperada por uma identidade e por um milagre econômico. Por isso, não houve qualquer revolta quando o país, durante o Terceiro Reich, desviou-se do bem para o mal. O que houve foi apenas um realinhamento moral”.

2. Hitler e o Nazismo: a solução alemã

A Alemanha não havia se recuperado da Primeira Guerra. Sua população continha um imenso número de desempregados, altas taxas de inflação, havia muitos protestos de operariados influenciados pela Revolução Russa, e ainda estava presa as imposições do Tratado de Versalhes.

Adolf Hitler

Adolf Hitler (1889-1945) nascido na Áustria e ex- combatente da Primeira Guerra filiou-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NAZI – o termo nazismo deriva da suas iniciais). Em 1921, Hitler tornou-se o chefe absoluto do partido nazista. Após tentar um golpe em 1923 foi condenado a prisão onde escreveu a primeira parte de seu livro Mein Kampf (Minha luta) que continha as bases da doutrina nazista. Entre elas estão:
*superioridade da raça ariana: os alemães descendem de uma” raça superior” (ariana) e por isso têm o direito de dominar as “raças inferiores”.
*anti-semitismo
*total fortalecimento do Estado: todos deviam se submeter ao Estado, personificado na figura do Führer (chefe).
*expansionismo: o povo alemão tinha o direito de conquistar seu espaço vital.

A propaganda da doutrina nazista foi feita através de discursos de Hitler para as massas, publicações do partido e principalmente desfiles militares que passavam a imagem de ordem, disciplina e organização. O sistema educacional incentivava o nacionalismo, e foi marcado por militarismo, anti-semitismo, e racismo. Os professores deveriam fazer parte da Liga Nazista de Docentes e transmitir para os alunos que os alemães pertenciam a uma raça superior.

Em 1925, Von Hindenburg torna-se presidente da Alemanha, porém não consegue solucionar os problemas socioeconômicos. O Parlamento Alemão, em 1932, teve uma grande maioria apoiando o partido nazista e sendo favorável a ascensão de Hitler, nomeando-o como chanceler.

Fontes

Portal Segunda Guerra Mundial
Revista História- Nazismo.nº1. Tríada
COTRIM, Gilberto. “História Global- Brasil e Geral” vol. único, São Paulo. Saraiva, 2002. pp.420-440.
Para baixar o Tratado de Versalhes clique aqui

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Pompéia

Antes de ler o post, seria interessante  ver o vídeo e acessar os links abaixo para compreender como se organizava a vida na cidade de Pompéia. Esses vídeos foram retirados e editados por mim do documentário que serviu como base para o post de hoje, e é uma explicação dada por Pedro Paulo Funari sobre o tema.


localização e alcance da erupção do Vesúvio

Pompéia, cidade do Império Romano, localizada próximo ao Monte Vesúvio na Baía de Nápoles. A cidade foi destruída em 24 de agosto de 79 devido a erupção do  vulcão Vesúvio que teve duração de 18 horas. Toda a catástrofe foi narrada por Plínio, o Jovem, e posteriormente pode-se saber mais sobre este evento com os restos arqueológicos encontrados.
O vulcão Vesúvio encontrava-se inativo por mais de 1500 anos. Os romanos desconheciam a existência do vulcão, na verdade nem existia uma palavra que defini-se vulcão no latim. Portanto, os menores sinais que evidenciavam que o Vesúvio estivesse acordando não puderam ser traduzidos, deixando duas cidades com grande número de mortos e soterradas: Pompéia e Herculano.
De acordo com os relatos, antes da erupção, uma densa nuvem de fumaça superaquecida de rochas e gás elevou-se a 15 km de altura numa velocidade supersônica, podendo ser vista até a Baía de Miseno. O vento mudou de direção e levou a fumaça para Pompéia, encobrindo o Sol. Rochas, pequenas pedras-pome e cinzas começaram a cair sobre a cidade. A mudança do vento salvou a destruição completa da cidade de Herculano, que estava mais próxima ao Vesúvio. Porém, o que foi visto pelos habitantes de Herculano levou muitos a buscar abrigo onde ficavam guardados os barcos, e muitos foram para a praia, em busca de resgate. Este estava sendo liderado por Plínio, o Velho, que foi impedido de chegar no seu destino. O primeiro fluxo piroclástico composto de rochas derretidas e cinzas rolaram sobre o vulcão em direção a Herculano. As pessoas alojadas nos abrigos de barcos morreram de choque térmico: a nuvem de fumaça quente fez seus tecidos evaporar, dentes e ossos se estilhaçarem como vidro, e seus cérebros entraram em ebulição e explodiram. Foram encontrados 300 esqueletos humanos de homens, mulheres e crianças. Na praia a morte foi instântanea devido ao calor, e as pessoas se queimaram e viraram carvão. Herculano ficou soterrada em 25m de resíduos vulcânicos.
Após a destruição de parte de Herculano, ocorre um terremoto e um outro fluxo piroclástico, mais leve que não destrói Pompéia mas envia um quantidade de gases tóxicos que juntos formam uma mistura letal: dióxido de carbono e cloreto de hidrogênio. Muitos morrem sufocados. Outro fluxo piroclástico ocorre e desta vez vem em direção a Pompéia. A fumaça que chega primeiro faz que com a primeira inalação os pulmões se encham de gás, na segunda inala-se cinzas o que forma uma espécie de cimento seco nos pulmões e na traquéia, e na terceira inalação a pessoa fica ofegante e sufoca. É muito provável que as pessoas sabiam que estavam morrendo, pois sua morte não foi instântanea. Muitos corpos foram petrificados e demonstram até hoje a angústia do seu último momento. Cerca de 10 milhões de tonelada de pedras-pome, rochas e cinzas soterraram Pompéia.
Somente em 1594 durante a construção de um aqueduto que foi encontrada a cidade. Ela estava completamente preservada: pode-se ver ruas, pinturas, pichações, lojas, padarias, tinturarias, e inúmeros objetos. Por muitos anos a narração de Plínio, o Jovem foi deixada de lado pois achava-se um absurdo o que ele narrava. Posteriormente a ciência descobriu que essas erupções que Plínio narrou são possíveis e ocorrem a cada 2 mil anos. Isso fez com que sua narração fosse reconhecida de fato. Essas erupções foram denominadas de plinianas em homenagem a narração de Plínio.

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Referências

Documentário: Pompéia – o último dia
Produção BBC

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Pátio do Colégio São Paulo, 1840.

Em 25 de janeiro de 1554, por ordem do padre Manoel da Nóbrega, superior da Companhia de Jesus no Brasil, e um grupo de doze jesuítas, dentre os quais o padre José de Anchieta, funda-se o Colégio São Paulo entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, que visava a cristianização dos indígenas da região. Pronto, estava fundado o colégio, que deu o nome a cidade que surgia ao seu redor.
A “grande viragem” como é chamada por alguns historiadores portugueses, ocorre desde o inícios de 1545, quando a Europa católica em geral começa a viver um período de fechamento político e ideológico. Esse é o momento da Contra- Reforma na Península Ibérica que marca uma mudança cultural e educacional na Península e no Novo Mundo. A partir de 1545 há um fortalecimento da Inquisição que visava reprimir o avanço do protestantismo. Acentuada a ortodoxia católica, um dos grupos que colocará em prática esse fechamento é a Companhia de Jesus, que fora fundada em 1534 por Inácio de Loyola, que se tornaria numa das forças mais atuantes do reino. Os jesuítas passaram a controlar as universidades portuguesas, e tiveram alvará do Rei para criar sua própria rede de escolas: o Colégio de Jesus.  Esses colégios tinham conceitos pedagógicos medievais e professavam a escolástica. Seu currículo era rigidamente ortodoxo e os alunos se dedicavam quase exclusivamente ao latim.
Os jesuítas foram encarregados da conversão dos indígenas no Brasil. Este, com os jesuítas, teve suas colônias se desenvolvendo sem livros, sem universidades, sem imprensa, sem debates e sem inquietações culturais. A mentalidade brasileira foi construída sobre as bases da Companhia de Jesus sob a égide da Contra-Reforma e do Concílio de Trento.
Após se fundado o Colégio com base nessa ideologia descrita, o povoado ao redor deste foi elevado a vila em 1557, mas somente em 1711 São Paulo ganhou a condição de cidade.
Quanto ao Colégio transformou-se num Museu, e o hoje o local se chama Praça do Pátio do Colégio.

Referências

BUENO, Eduardo. “Brasil: uma história- A incrível saga de um país”. São Paulo, Ática, 2003.
site

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A lenda das caveiras de cristal
Os misteriosos crânios que inspiraram o novo filme de Indiana Jones estão entre as maiores fraudes arqueológicas modernas. Vendidas como relíquias maias ou astecas, elas surgiram misteriosamente na loja de um traficante de antigüidades do século XIX

por Jane MacLaren Walsh

 

© THE BRITISH MUSEUM, LONDRES.O exemplar que integra o acervo do Museu Britânico, comprado da joalheria Tiffany’s

 

Há 16 anos, o Museu Nacional de História Americana recebeu um pacote pesado acompanhado de uma carta apócrifa que dizia: “Esta caveira de cristal asteca, que se acredita ser parte da coleção de Porfírio Díaz, foi comprada no México em 1960.(…) Estou oferecendo-a ao Smithsonian”. Richard Ahlborn, então curador das coleções hispano-americanas, me perguntou se eu sabia algo sobre o objeto – uma estranha caveira feita de um cristal branco-leitoso, maior que uma cabeça humana. Ele conhecia meu trabalho com arqueologia mexicana.

Eu de fato tinha conhecimento de uma caveira de cristal em tamanho natural exposta no Museu Britânico, e de uma versão menor que o Smithsonian havia exibido certa vez como falsa. Depois de alguns minutos tentando descobrir o significado e a importância desse estranho objeto, ele me perguntou se o departamento de antropologia teria interesse em ficar com ele. Sem hesitar, respondi que sim. Se a caveira se revelasse uma genuína peça pré-colombiana, um objeto tão raro deveria definitivamente passar a integrar a coleção do Smithsonian.

Na época, eu não poderia imaginar que essa doação inesperada abriria uma linha de pesquisa totalmente nova para mim. Nos anos seguintes, minhas investigações sobre essa caveira me levaram a pesquisar a história de coleções pré-colombianas em museus ao redor de todo o mundo e a colaborar com diversos cientistas estrangeiros e curadores que depararam com caveiras de cristal.

Não faltam teorias sobre suas origens. Alguns acreditam que sejam peças do artesanato maia ou asteca, mas elas se tornaram tema também de constantes discussões em sites de ocultismo. Alguns insistem em afirmar que surgiram em um continente submerso ou em uma galáxia distante. E agora essas caveiras estão fadadas a se tornar um “hit arqueológico” graças ao nosso colega de celulóide, Indiana Jones, que se ocupa delas em seu mais novo filme, Indiana Jones e o reino das caveiras de cristal.

 

O antiquário francês Eugène Boban expõe sua coleção de artefatos meso-americanos em Paris em 1867.

 

Essas exóticas esculturas normalmente são atribuídas a culturas pré-colombianas meso-americanas, mas não há uma só caveira de cristal em nenhuma coleção de museu que tenha saído de uma escavação documentada, e elas têm pouca relação técnica ou estilística com qualquer representação de caveira genuinamente pré-colombiana. Essas caveiras são adoradas hoje por uma grande seita de velhos hippies e seguidores da filosofia New Age, mas qual é a verdade por trás das caveiras de cristal? De onde elas vêm e por que foram produzidas?

Os museus começaram a colecionar essas peças durante a segunda metade do século XIX, quando nenhuma escavação arqueológica de cunho científico havia sido realizada no México e o conhecimento sobre artefatos pré-colombianos reais- era escasso. Esse foi um período em que floresceu uma verdadeira indústria de falsos objetos pré-colombianos. Quando o arqueólogo W. H. Holmes, do Smithsonian, visitou a Cidade do México em 1884, encontrou “lojas de relíquias” por toda parte, repletas de cópias falsas de vasos de cerâmica, flautas e vestimentas.

As primeiras caveiras de cristal mexicanas apareceram pouco tempo antes da invasão francesa em 1863, quando o exército de Luís Napoleão ocupou o país e instalou Maximiliano da Áustria como imperador. Em geral, essas primeiras caveiras eram pequenas, mediam menos de 4 cm. O exemplar mais antigo parece ser o do Museu Britânico, de cerca de 2,5 cm de altura, adquirida provavelmente em 1856 pelo banqueiro inglês Henry Christy.

Duas outras foram exibidas em 1867 na Exposição Universal de Paris como parte da coleção daquela que provavelmente é a figura mais misteriosa na história das caveiras de cristal: Eugène Boban, um francês que serviu como arqueólogo “oficial” na corte mexicana de Maximiliano.

 

Reprodução da caveira de cristal adquirida pelo Smithsonian em 1886.

 

Em 1874, o Museu Nacional de História do México comprou uma pequena caveira de cristal do colecionador mexicano Luis Constantino por 28 pesos, e outra por 30 pesos em 1880. Em 1886, o Smithsonian adquiriu uma peça semelhante da coleção de Augustin Fischer, que havia sido secretário do imperador Maximiliano no México. A peça, no entanto, desapareceu misteriosamente da coleção do museu por volta de 1973. Quando o mineralogista William Foshag, da equipe do Smithsonian, descobriu nos anos 50 que a caveira fora esculpida com um esmeril moderno, o artefato foi exposto em uma mostra de fraudes arqueológicas.

NOVA GERAÇÃO Esses pequenos objetos representam a “primeira- geração” de caveiras de cristal. Possuem um furo vertical, de cima a baixo do crânio. Esses furos podem de fato ter origem pré-colombiana, e as caveiras seriam simples amuletos de quartzo meso-americanos, posteriormente esculpidos novamente para serem vendidos no mercado europeu.

Na busca pela origem das caveiras de cristal, o nome de Boban não parava de cruzar o meu caminho. Ele chegou ao México na adolescência e passou uma juventude idílica conduzindo suas próprias expedições arqueológicas e coletando pássaros exóticos. Apaixonou-se pela cultura mexicana e começou a ganhar a vida vendendo artefatos arqueológicos e de história natural em um pequeno bazar montado na Cidade do México.

Ao voltar para a França, nos anos 1870, ele abriu uma loja de antigüidades em Paris e vendeu grande parte da sua coleção original de arqueologia mexicana para Alphonse Pinart, explorador e etnógrafo francês. Em 1878, Pinart doou a coleção, que incluía três caveiras de cristal, para o Trocadéro, o precursor do Musée de l’Homme. Boban havia adquirido a terceira caveira que integrava a coleção de Pinart algum tempo depois de seu retorno a Paris. Ela é muito maior que qualquer uma das outras desse primeiro período, com cerca de 10 cm de altura. Atualmente no Musée du Quai Branly, a caveira possui um grande furo vertical que a atravessa de cima a baixo. Existe uma semelhante, porém menor, com cerca de 6 cm, em uma coleção particular. Ela serve de base para um crucifixo; a caveira do museu Quai Branly, relativamente maior que as demais, pode ter sido usada para uma função semelhante.

 

A pesquisadora, Jane MacLaren Walsh, e Scott Whitaker analisam a caveira de Mitchell-Hedges nos laboratórios do Smithsonian

 

Uma caveira de segunda geração – de tamanho natural e sem o furo vertical – apareceu pela primeira vez em 1881 em uma loja de Paris cujo dono não era outro senão Boban. Essa caveira tem quase 16 cm de altura. A descrição no catálogo que ele publicou não indicava o local onde ela teria sido achada, e a peça é listada separadamente em relação às suas demais antigüidades mexicanas.

Quando voltou para a Cidade do México em 1885, depois de 16 anos de ausência, Boban levou essa caveira na bagagem. De acordo com boatos, Boban tentou vendê-la ao Museu Nacional de História do México como um artefato asteca, em parceria com Leopoldo Batres, que ostentava o título de “protetor dos monumentos pré-hispânicos” junto ao governo mexicano. O curador do museu, no entanto, concluiu que a caveira era uma fraude feita de vidro e se recusou a comprá-la. Batres, então, denunciou Boban como falsificador e o acusou de contrabandista de antigüidades.

Em julho de 1886, o antiquário francês transferiu seu negócio para Nova York e mais tarde realizou um leilão de milhares de artefatos arqueológicos, manuscritos coloniais do México e uma grande coleção de livros. A Tiffany & Co. comprou a caveira de cristal nesse leilão por US$ 950 e, uma década depois, vendeu a peça ao Museu Britânico pelo mesmo valor.

Uma terceira geração de caveiras apareceu por volta de 1934, quando Sidney Burney, negociante de arte de Londres, comprou uma caveira de cristal de proporções quase idênticas às do exemplar que o Museu Britânico comprara da Tiffany´s. Não se sabe onde Burney adquiriu a peça, mas provavelmente trata-se de uma réplica da caveira do Museu Britânico – quase exatamente do mesmo formato, mas com os olhos e os dentes modelados de forma mais detalhada. A mandíbula é separada, o que a coloca, por si só, em uma categoria à parte. Em 1943, foi vendida pela companhia de leilões Sotheby´s em Londres para o explorador britânico Frederick Albert Mitchell-Hedges.

 

Três exemplos de caveiras de cristal, em sentido horário: a do Museu Britânico, a de Mitchell-Hedges e a do Smithsonian

 

Desde 1954, quando foram publicadas as memórias de Mithell-Hedges no livro Danger, my ally (Perigo, meu aliado), essa caveira de terceira geração adquiriu uma origem maia. Sua filha adotiva, Anna Mitchell-Hedges, que morreu no ano passado aos 100 anos de idade, tomou conta da caveira por 60 anos, às vezes exibindo a peça de maneira privada mediante o pagamento de uma taxa. A caveira atualmente está nas mãos do seu viúvo, mas dez sobrinhas e sobrinhos reivindicam a peça. Conhecida como a Caveira da Morte, a Caveira do Amor, ou simplesmente a Caveira de Mitchell-Hedges, dizem que ela emite luzes azuis dos olhos e já teria quebrado alguns discos rígidos de computador.

Apesar de quase todas as caveiras de cristal terem sido identificadas como astecas, toltecas, mistecas ou às vezes maias, elas não refletem as características artísticas ou estilísticas de nenhuma dessas culturas. As versões astecas e toltecas de cabeças da morte eram quase sempre esculpidas em basalto, apenas às vezes cobertas com estuque, e eram provavelmente todas pintadas. Esculpidas de maneira mais crua que as caveiras de cristal, elas são mais realistas, principalmente na representação dos dentes. Os mistecas às vezes fabricavam caveiras de ouro, mas essas representações são descritas mais precisamente como rostos em forma de caveira com olhos, nariz e orelhas intactos. Os maias esculpiam caveiras, mas em relevo em pedra calcária. Muitas vezes, essas caveiras, esculpidas de perfil, representam dias do calendário maia. Eu acredito que todas as caveiras de cristal menores que fizeram parte da primeira geração de fraudes foram produzidas no México por volta da época em que foram vendidas, entre 1856 e 1880. Esse período de 24 anos pode representar a produção de um único artesão, ou talvez de um único ateliê. A caveira maior, que apareceu em 1878 em Paris, parece ser uma espécie de peça de transição, já que possui o mesmo furo vertical que as menores. Essa caveira está nos laboratórios do porão do Louvre, e o Musée du Quai Branly atualmente realiza testes científicos para tentar descobrir mais sobre a idade do artefato e sobre o material do qual é feito.

FRAUDES CONVINCENTES A caveira que apareceu em Paris em 1878 e a de Boban-Tiffany-Museu Britânico que surgiu em 1881 talvez não passem de invenções européias do século XIX. Nenhuma dessas caveiras maiores possui algum tipo de ligação direta com o México, a não ser por meio de Boban; elas simplesmente aparecem em Paris muito tempo depois do seu retorno do México em 1869. A caveira de Mitchell-Hedges, que aparece depois de 1934, é uma verdadeira cópia daquela do Museu Britânico, com floreios estilísticos e técnicos que apenas um experiente falsificador poderia inventar. De fato, em 1936 o pesquisador Adrian Digby, do Museu Britânico, levantou pela primeira vez a hipótese de que a caveira de Mitchell-Hedges seria uma cópia da caveira do Museu Britânico. De qualquer forma, Digby, então um jovem curador, não sugeriu que se tratasse de uma falsificação moderna e negou a possibilidade de que a caveira de seu próprio museu fosse uma fraude, já que um exame microscópico realizado no início do século XX não havia revelado a presença de marcas de ferramentas modernas na peça.

A caveira que chegou ao Smithsonian há 16 anos faz parte de outra geração em relação a essas fraudes. De acordo com seu doador anônimo, ela foi comprada no México em 1960 e seu tamanho talvez reflita a exuberância da sua época. Em comparação com as caveiras originais, do século XIX, a caveira do Smithsonian é enorme; com seus 14 kg e aproximadamente 25 cm de altura, ela faz todas as outras parecerem minúsculas. Eu acredito que ela tenha sido produzida no México pouco tempo antes de ser vendida. (A caveira atualmente integra a coleção do Smithsonian e tem até seu próprio número de catálogo: 409954. No momento, está está trancada em um armário no meu escritório.)

Atualmente existem caveiras de quinta, provavelmente de sexta geração, e fui convidada a examinar uma série delas. Colecionadores me trouxeram caveiras supostamente encontradas no México, na Guatemala, no Brasil e até mesmo no Tibete. Algumas delas eram na verdade de vidro; outras, de resina. A cientista do Museu Britânico Margaret Sax e eu examinamos as caveiras do Museu Britânico e do Smithsonian sob microscópios de varredura de elétrons e concluímos que foram esculpidas com equipamentos relativamente modernos. Esses instrumentos certamente não estavam à disposição dos escultores das culturas pré-colombianas meso-americanas. (Relatório preliminar da nossa pesquisa pode ser acessado no site do Museu Britânico,www.britishmuseum.ac.uk/compass.) Então por que as caveiras de cristal tiveram uma trajetória tão longa e bem-sucedida, e por que alguns museus continuam a exibi-las, apesar de sua falta de contexto arqueológico e óbvios problemas iconográficos, estilísticos e técnicos? Apesar de o Museu Britânico exibir suas caveiras como exemplos de fraudes, alguns ainda as apresentam como peças originais. O Museu Nacional de História do México, por exemplo, identifica suas caveiras como trabalho de artesãos astecas e mistecas. Talvez seja porque, como os filmes de Indiana Jones, esses objetos macabros são uma forma confiável de atrair o público.

Impressionados por sua excelência técnica e seu polimento brilhante, gerações de curadores de museus e colecionadores particulares foram enganados por esses objetos. Mas eles são bons demais para ser verdade. Se considerarmos que os lapidários pré-colombianos usavam ferramentas de pedra, osso, madeira ou cobre, com areia abrasiva para esculpir pedras, as caveiras de cristal são esculpidas bem demais e são muito polidas para serem genuínas.

No final das contas, a verdade por trás das caveiras deve ter ido para a cova com Boban. Ele conseguiu confundir muita gente por muito tempo e deixou um legado intrigante, que continua a nos estarrecer um século após sua morte. Boban seguramente vendeu a museus e colecionadores particulares algumas das mais intrigantes falsificações conhecidas, e talvez muitas outras ainda estejam para ser reconhecidas. Este certamente parece ser um bom roteiro para o cinema.

 

  

Jane MacLaren Walsh é antropóloga do Museu Smithsonian.

FONTE

 

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Nada de acertar a cabeça da mulher com um porrete e arrastá-la pelos cabelos, nem sexo desregrado e permissivo. Estudos mostram que a mulher tinha participação ativa, os padrões sexuais eram menos restritivos, havia o claro reconhecimento do prazer sexual, e existiam regras e restrições definidas.
Nas sociedades caçadoras-coletoras houve duas tensões no que diz respeito a sexualidade: a primeira expressa na arte e em arranjos práticos combinando a ênfase na sexualidade, bravura e proezas masculinas; e a segunda centrada na expressão sexual, tentava combinar prazer sexual com o controle da taxa de natalidade. Nosso maior conhecimento sobre a sexualidade primitiva vem das obras de arte, que

Vênus de Willendorf

no geral representavam mais figuras femininas. Um exemplo são as estatuetas de Vênus, deusa do amor, que tendem a ser passivas, desprovidas de rosto, gordas – supõe-se que a obesidade era um fator erótico pois indicava boa saúde e capacidade de ter filhos.
Algo que foi encontrado recentemente na Suécia, foi um osso esculpido na forma de pênis ereto que possui 10,5 cm de altura e 2 cm de diâmetro. Não é o  primeiro pênis a ser encontrado. Um já foi encontrado antes na Alemanha em 2005. Não se sabe ao certo para que era usado. Se apenas como representação do orgão sexual, ou como um sexy toy.

pênis esculpido em osso

Sabemos, por exemplo, que as vestimentas femininas salientavam aspectos sexuais, exibindo seios ou decotes, e as vezes fendas que mostravam os pêlos pubianos. A ocra pode ter sido utilizada como batom com intuito de avisar que há disponibilidade sexual. Não é incomum encontrar gravuras que realcem a virilidade masculina, associando o homem a animais. Muito provavelmente esses artigos fálicos eram utilizados nos rituais sexuais.
Mitos também ficaram: Atum, o deus-sol cria o rio Nilo com sua masturbação na água. Rituais de eonismo ou travestismo eram comuns: os indivíduos vestiam-se com roupas do sexo oposto, e isso possuía um significado espiritual às pessoas capazes de transcender o gênero. Era comum que sacerdotes mantivessem relações sexuais tanto com homens quanto com mulheres, o comportamento de dois espíritos era visto como saudável e normal. Homens que era criados como mulheres, usavam seios de maneira, eram vistos como detentores de poderes mágicos. Homo, hetero e bissexualismos eram considerados normais em alguns grupos. A virgindade sexual feminina não é valorizada,e os homens caçadores mais bem sucedidos são tidos como os mais atraentes; a quantidade de parceiro não era determinada.
Métodos contraceptivos não é algo novo. Por serem nômades, era difícil ter filhos e mantê-los vivos, pois o homem estava sujeito a qualquer situação que uma vida instável possa ter. Para isso, era comum usarem métodos para evitar a procriação a todo momento, para isso utilizavam-se de três métodos: amamentação da criança até 6 anos ou mais, garantindo alimento à ela, e restringindo a mulher a dar a luz a outro filho; abstinência sexual por um certo período e até o uso de ervas para evitar a gravidez.

Conclusão
As sociedades coletoras-caçadoras nômades tinham entendimento de que o sexo era algo que gerava prazer. Os tipos sexuais eram representados em esculturas e pinturas como forma de registrar momentos e preferências, além de rituais. Era comum sacerdotes e xamãs se travestir, pois isso indicava espírito flexível que transpunha o gênero sexual. O sexo era algo entre espíritos que não estabelecia opção por sexualidade, só ocorria assim no caso de procriação.
 

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